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Aniversário

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Por Amanda Ferr

Crônica de Aniversário

Responda rápido, sem pensar, você gosta de fazer aniversário? Se você tem até dez anos de idade é provável que adore, e com razão.

Festinhas no colégio ou no Mc donald´s, com coleguinhas, brigadeiros e Mc Lanche Feliz são
realmente tudo de bom.

Se ainda não completou 18 anos, certamente acha um barato, o que também não poderia ser diferente. Qualquer programa estando com a turma e tendo cerveja por perto já é festa.

Mas e você aí? É, você mesmo, que já não acha mais graça em boate, que já tomou tantos porres que seu fígado já retorce só de olhar para uma caipirinha e que pode contar nos dedos quantos amigos solteiros e sem filhos que poderiam te acompanhar sem nenhum impedimento numa farrinha.

É, você mesmo, que trabalha de dez a doze horas por dia, que tem tese de mestrado pra defender e que às onze da noite já parece um zumbi de tão cansado, também adora fazer aniversário?

Pois eu não gosto. Salvo na infância quando tudo ainda tinha cores de contos de fadas, aos quinze anos quando troquei uma viagem para Disney por um churrasco de botar pra quebrar ,e na tão esperada comemoração dos meus 18 anos, em que me preparei com corridas e musculação por um ano só pra poder caber num modelito semi-nu, nunca me entusiasmei com a data e explico o porque.

Primeiro: Não gosto de ser parabenizada por ter sobrevivido mais um ano. Por ainda não ter chegado minha hora. Por não ter partido dessa pra melhor. Por que apesar de todos os dissabores, mantive-me firme e não sucumbi ao suicídio.

Ora, francamente, parabenizem-me por ter tido um gesto nobre, por ter ganhado uma competição, mas não por continuar respirando.

Segundo motivo: Pessoas que sequer sabem meu endereço, que não participam da minha vida nem me convidam para participar da sua nos demais 364 dias do ano, me surgem de todos os cantos, me desejando uma enorme sorte de felicitações:

Amor, paz, saúde, dinheiro, etc, etc, etc… Sim obrigada, eu aceito, podemos marcar para amanhã então, às 15:00 hrs em frente ao coreto da praça da Liberdade, ao lado do Papai Noel pra você me amar, agendar minhas consultas médicas e ainda me dar um cheque com uma bolada?

E por último, porque não suporto a obrigação de “se ter que”. Tem que sair, tem que beber, tem que comemorar, “tem que”, “tem que”, “tem que”…

Se for assim, temos que sair , temos que beber, temos que comemorar todos os dias, quando ao abrirmos os olhos na cama, nos dermos conta de que ainda estamos vivos.

Mas nada está perdido. Talvez se eu começar a comemorar diariamente o fato de estar viva e for parabenizada por isso diariamente, por pessoas que realmente me conhecem nos pormenores mais amargos e gostem de mim mesmo assim e não só no dia 8 de dezembro, eu fique menos resistente a aniversários e suas implicações.

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