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Vinicius Mendes Lima

Vinicius Mendes Lima

Destrinchando

Por Lucas Machado

O autor e profissional porto-alegrense Vinicius Mendes Lima, MKT Estratégico pela UCES – Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Argentina). Lança livro em BH.

A Riqueza das Favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas

Professor desenvolve estudo sobre micro e pequenos empresários, traçando um paralelo entre a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e a Villa 31, em Buenos Aires. Faturamento médio entre os avaliados chega a R$12 mil e R$10 mil respectivamente, alcançando até R$150 mil na comunidade carioca.

 “…Entre morros e vielas, em um ambiente hostil, onde não há sequer saneamento básico, existem pessoas que conseguem se reinventar, empreender e sustentar sua família”.

É desta maneira que o professor e administrador. Vinicius Mendes Lima resume sua pesquisa dois anos que originou o livro A Riqueza das Favelas: o empreendedorismo entre morros e vielas. A obra traça um perfil de empreendedores em localidades de vulnerabilidade social, utilizando como objeto de estudo e comparação a maior favela da América Latina, a Rocinha, no Rio de Janeiro, e a Villa 31, a mais antiga de Buenos Aires, Argentina.

O estudo contou com a participação de 30 empreendedores que dividiram suas experiências e ajudaram a construir uma imagem de como se desenvolve o dia a dia de um empreendedor em localidades onde a presença do governo é praticamente nula, exceto quando representado pela polícia.

“Existe riqueza dentro das favelas, não só a cultural, que é muito grande, mas também a financeira. Nesses ecossistemas dentro das comunidades, ainda que em situação adversa, criatividade e empreendedorismo destacam os melhores”, aponta.

Dentre as principais conclusões enfrentadas no decorrer das entrevistas, a ausência de confiança em qualquer espécie de apoio por parte do poder público chama a atenção.

“Em ambos os países, são praticamente nulas as políticas públicas. Falta a inserção do governo nesses ambientes, ele não entra lá. Quando entram em contato com alguma espécie de incentivo ou programa governamental não se sentem seguros para utilizar, com medo de que o governo intensifique a fiscalização de cada nota, cada fornecedor, cada detalhe, colocando em risco seu negócio”, explica.

Alguns momentos foram emblemáticos no decorrer do estudo, especialmente nas visitas às comunidades. Na Rocinha, sua van acabou revistada por membros do tráfico, que, armados de fuzis e escopetas (antes da UPP), decidem quem está autorizado ou não a acessar o morro. Já na Villa 31, em Buenos Aires, nem mesmo os taxistas aceitavam fazer corridas até o lugar pelos riscos da localidade.

“O que nos motiva após avaliar o resultado do estudo é que mesmo com técnica nenhuma e conhecimento pequeno sobre administração esses pequenos empresários dentro dos ambientes hostis conseguem ganhar dinheiro e fazer girar a economia interna de uma favela. Vamos imaginar onde podem chegar recebendo conhecimento, educação e quem sabe apoio financeiro. O quão grande podem se tornar e aumentar o desenvolvimento de suas comunidades?”, finaliza Mendes.

 DESTAQUES 

(Dados apontados ao longo da obra)

* Há 200 mil favelas no planeta;

* Há 827 milhões de pessoas vivendo em favelas, até 2050 o número chegará a 3 bilhões;

* Na América Latina, 31,9% das habitações estão em favelas;

* Na América Latina, 70% dos empreendedores no mercado surgem por necessidade de

sobrevivência e não para o acúmulo de riqueza;

* 500 milhões de pessoas não possuem teto para viver em todo o mundo;

* Na Rocinha, há mais de 180 mil habitantes com renda média de R$ 220,00;

* A Rocinha é o local com nível mais baixo de educação do RJ, com 5 anos de estudo em média por pessoa;

* Mais de 11 famílias chegam por dia na Villa 31, deixando-a com mais de 150 mil

Habitantes;

* No Brasil, o número de trabalhadores informais (ilegais) chega a 44,2 milhões de pessoas, em torno de 22% da população; na Argentina é de 4 milhões;

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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