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O vício do coitadismo

Por Paulo Solmucci

Outro dia, aqui mesmo escrevi que o Brasil é o campeão mundial em número de partidos políticos, segundo estudos da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

Tem 28 partidos no Congresso Nacional. O pessoal vive da farra do dinheiro do nosso trabalho, que é sugado por um implacável aspirador, chamado fundo partidário.

É a cotidiana batalha dos brasileiros que também sustenta uma das maiores redes de ministeriais do planeta. São 24. Nos Estados Unidos, onde há dois partidos no Congresso, o presidente comanda 11 ministérios.

E olha que a população americana é 60% maior que a nossa. O PIB deles, US$ 15,7 trilhões. O nosso, US$ 2,3 trilhões.

No vício nacional do coitadismo, dizemos que somos explorados pelo capitalismo internacional, daí o motivo pelo qual o Brasil tem a maior taxa de homicídios do mundo, superando a da Índia, da China e, de longe, a dos Estados Unidos.

E a educação? Entre 69 países monitorados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – como a imprensa internacional divulgou por esses dias -, estamos em 65º lugar.

Não é por falta de gente empregada no Estado que ficamos desse jeito. Só de funcionários nomeados politicamente (quer dizer, sem concurso e na base do compadrismo), há 20,3 mil pessoas dependuradas no governo federal, a grande maioria batendo carimbo ou desentortando clipes.

O renomado consultor mineiro Vicente Falconi estudou esse negócio. Fez uma análise comparativa com uma cesta de países. Chegou à conclusão que, para se nivelar às nações mais civilizadas, o Brasil não necessitaria de mais de mil funcionários nomeados.

Eles teriam de ser profissionais altamente especializados, que acrescentariam conhecimento e experiência
ao governo.Precisamos passar o Brasil em uma ducha, em um lava-jato total.

É muita sacanagem para um país só. Isso vem de lá de trás. Já faz mais de 500 anos. O troço cresce sem parar. É uma aliança perversa entre o aparato político e o aparato burocrático.

E tome foro privilegiado, apartamento funcional, corrupção, aviões da FAB levando engravatados pra cima e pra baixo, parlamentares se aposentando com oito anos de serviço, usufruindo férias de 60 dias por ano.

Na hora de fazer a limpeza, eles se juntam, e não deixam. Cercam de todos os lados, com sindicalistas, entidades patronais atreladas ao Estado, ONGs financiadas com dinheiro público.

O que a turma quer é plano de carreira. Trocando em graúdos: quer aumentos automáticos, bastando para tal que os anos passem de réveillon a réveillon. Avaliação de desempenho?

Para os parasitas, isso é papo de neoliberal, de reacionário, da direitona. Vida longa ao ócio destrutivo. E assim caminha a desumanidade.

O balanço dessa tralheira é que só 48,6% dos lares brasileiros contam com rede de esgoto. As estradas estão num pandareco, e a bandidagem circula livre, leve e solta. Os governos

estaduais e prefeitos não têm mais como pagar em dia o décimo-terceiro. A pindaíba é geral.

O dinheiro não dá mais para as multidões do ponto facultativo. Na hora de limitar o aumento dos gastos públicos ao aumento da inflação (ninguém está falando aí em corte, viu?), a turma dos desmesurados cargos de desconfiança arma uma gritaria sem fim. Fecha rua, queima pneus e – para virar notícia de destaque – ataca a polícia.

O revide policial é a glória dessa gente. Se o Brasil fizer uma reforma atrás da outra, em um futuro qualquer vai acabar com esse mostrengo de proporções cósmicas, que é a Justiça do Trabalho. São mais de 7 milhões de processos por ano, segundo o professor José Pastore.

Nos Estados Unidos, não passam de 100 mil por ano. A aliança dos políticos com os burocratas trava o Brasil em sentenças que jorram caudalosamente das cabeças dos juízes.

A faxina precisa também liquidar com esse sugadouro de dinheiro e tempo da população, que são os 13,3 mil cartórios, uma praga brasileira que engole o faturamento anual de R$ 10 bilhões.

Vamos chegar lá. É preciso dar o primeiro passo: a PEC dos gastos. E o passo seguinte: a reforma da previdência. E outro: o fim do foro privilegiado. E depois: o fim da contribuição sindical obrigatória. Para cada um desses temas, ocupemos a Praça da Liberdade, a Paulista, a orla de Copacabana, a Esplanada dos Ministérios.

Vai ser um trabalhão daqueles, ano após ano. Mas, vai dar certo.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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