Destrinchando

URGENTE E COLETIVA SERPENTE

URGENTE E COLETIVA SERPENTE

URGENTE E COLETIVA SERPENTE

Por Guilherme Kramer

Urgente e coletiva serpente.

A cidade escurece, embrutece os cidadãos que correm de sua própria sombra a caminho do próximo ponto.

O ônibus passa com seu balanço metálico, fálico. Freia, espirra e para. Espera seus convidados subirem.

Arranca com valentia, provando que todos os joelhos são heróis, veteranos de guerra.

Velhos, crianças, mães solteiras. Somos alimento dentro desta urgente e coletiva serpente.

Máquina do tempo desobediente, despertador em forma de solavancos.

O motorista meio-homem-meio-máquina com suas veias quentes do óleo diesel queimado, amado-odiado,

santo-louco que observa a dura e informal casa de elétricos moradores de rua.

Já no cobrador, o sorriso preguiçoso, olhar lânguido que mostra seu sono mareado pelos tortuosos caminhos. Ele é cúmplice da veloz vida aqui na cidade.

Sento-me, respiro e abro a janela. Olho para o lado e vejo companheiros. Na dificuldade nos simpatizamos.

Bairro-centro, centro-bairro. Somos todos sonhadores. Recomeçamos a cada dia, nascemos de novo a cada manhã.

Confira o seu primeiro texto aqui para o Destrinchando:

2-2

São Paulo não espera,
ela desespera com o barulho de todo entulho,
vibra na intensidade da luz, que corta o escuro, muro, praça e morte!

Acorda e levanta, teu corpo aguenta tanto cinza.

A cor perde seu encanto nos cantos desta cidade,
idade tu tens, é jovem tanto quanto nós!

Vai dormir cabeça cansada, esmiuçada.
Louca de tanto ver, farta de tanto pensar.

Amar isso é loucura, São Paulo não é amor,
é pedra sobre pedra, pensamento obsessivo.

Eu quero o corpo quente dessa cidade!

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