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Tristeza querida

Tristeza querida

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Por Carolina Neves Neiva

Eu sei que você me conhece muito bem, apesar de cada vez que você me visitou, eu me encontro com um lado diferente de você.

Você está em constante mudança, propósitos e maneiras, que eu não sei antecipar. Lembro-me da primeira vez que você me beijou. Eu tinha apenas 14 anos, deitada na minha cama, e eu tinha colocado meu ursinho de pelúcia entre nós, porque eu estava com medo do que você faria.

Lembro-me da maneira que você olhou para mim, uma menina que finge ser uma mulher, com seus olhos sem fim, e lembro-me da maneira que você sorriu para mim.

A primeira noite não dormi , eu me lembro que eu ficava acordada a olhar para você, porque eu estava receosa que você fosse embora. E pela manhã, quando você me beijou me acordando com os seus lábios que pareciam pétalas de margaridas, eu me lembro que você tirou meu fôlego. Mas eu não poderia dizer se gostei ou não. Só sabia que sentia um sentimento oco no meu peito.

Após essa primeira vez, você sempre chegava mais e mais facilmente e rapidamente, como se estivesse sempre por perto. Como um amiga intima que não precisa de permissão para entrar. Não mais colocava meu urso entre nós. Quase nos tornando um.

Já não a chamava de tristeza pois a considera uma parte de mim. Por isso quando olhava dentro de seus olhos era como se me visse em um espelho. Era terrível e ao mesmo tempo maravilhoso consolador, pois não estava mais sozinha.

Quão ambíguo pode ser algo que no senso comum é um sentimento ruim. E em mim era uma sensação incrível de não estar só.

Algo sobre a maneira que você me fez sentir me moveu e me fez derreter, e eu adorava a maneira como meus olhos brilhavam sem saber o porque mas apenas talvez, porque você era boa para mim.

Mas logo essa amizade se tornou nociva e me sentia só quando você não estava por perto. Então estava eu, entre a tristeza de não ter sua companhia e a tristeza de estar sempre comigo.

Quantos de nos, já não passamos por momentos de total loucura lúcida na qual nos leva a acreditar que não somos nada.

Querida tristeza eu prefiro hoje ao longo de muitos anos de convivência te chamar de sopro em vez de amiga, ou de vez em quando companhia para momentos de solidão.

Por muitas vezes você me salvou de mim mesma, pois era a minha única companheira mas agora vejo que seu olhar que penetrava o meu e invadia meu coração não poderia mais ficar.

Preciso de outra amizade que se chama paz. Como dizia VINICIUS DE MORAIS.

“escravizado em ti, despeço-me de mim “

Preciso seguir em frente, sinto sua presença a me rondar mas não como antes, como uma amiga, mas sim como uma lembrança de que um dia precisei gritar socorro.

Hoje não mais lhe chamo de tristeza amiga, mas de necessária em certos momentos pois todos somos cercados de tristezas e alegrias.

Sem aperto no peito e também sem medo digo ate logo pois sei que algum dia ou por alguns momentos você estará presente.

Ate mais tristeza…

Preciso seguir em frente, sinto sua presença a me rondar mas não como antes, como uma amiga, mas sim como uma lembrança de que um dia precisei gritar socorro.

Hoje não mais lhe chamo de tristeza amiga, mas de necessária em certos momentos pois todos somos cercados de tristezas e alegrias.

Sem aperto no peito e também sem medo digo ate logo pois sei que algum dia ou por alguns momentos você estará presente.

Ate mais tristeza…

Leia em:

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O Céu é o limite

 

 

 

 

Carol Neves Neiva

Carol Neves Neiva

Psicóloga clínica especializada em psicóloga hospitalar.
Life coaching.
Atuo na área de motivacional a 6 anos.

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