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Tratamento para o câncer de pele

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Cirurgia menos invasiva e mais efetiva permite o diagnóstico e tratamento do câncer de pele

Em 1° de maio, foi celebrado o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Pele, que é o tipo de tumor maligno com maior incidência na população brasileira, atingindo 180 mil pessoas por ano no país.

De acordo com a dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Ana Rosa Magaldi, o câncer de pele é causado pelo desenvolvimento descontrolado e atípico das células do órgão. “Os principais fatores de risco da doença são a exposição aos raios solares ultravioletas ao longo dos anos; o avanço da idade; o sexo (sendo mais comum em homens); o tom de pele de matizes mais claros; o histórico familiar com a doença; a genética; o enfraquecimento da imunidade; os maus hábitos de vida (tabagismo); e dentre outros”, aponta.

Dividido em dois tipos, o câncer de pele pode ser melanoma e não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular), geralmente, este tumor pode se apresentar como uma pinta ou mancha assimétrica, de borda irregular, e cor acastanhada ou enegrecida. Também é preciso ficar atento, caso estas manchas começarem a coçar, sangrar, crescer ou se transformarem em feridas que não cicatrizam.

Segundo Ana Rosa, para tratar o câncer de pele não melanoma (o mais prevalente dentre todos os tipos), vem se destacando uma técnica intitulada de Cirurgia Micrográfica de Mohs. “Aliando o diagnóstico e o tratamento da doença, o procedimento permite a identificação e remoção de todo o tumor, preservando a pele saudável localizada no entorno da lesão”, comenta.

Desenvolvida em 1938 pelo médico e cirurgião geral, Frederic Edward Mohs, na Universidade de Wisconsin nos Estados Unidos (EUA), a cirurgia micrográfica consiste na extração da porção visível do tumor e de suas margens laterais e profundas. “Após a remoção da lesão, cada uma de suas camadas é submetida a um processo de congelamento e observação com o uso de um microscópio. Caso haja a persistência do tumor em algum ponto, este é retirado até que sejam atingidas as margens livres do câncer”, esclarece.

 

Ana Rosa explica que depois da ablação completa do carcinoma, é feita a reconstrução da ferida resultante do procedimento. Nesse momento, o cirurgião responsável pode optar por uma das quatro alternativas existentes, são elas: a cicatrização natural da ferida sem o uso de suturas; o fechamento da lesão por meio de pontos; a realização de um enxerto de pele de outra parte do corpo para preencher a área extraída; ou mesmo a movimentação da pele de uma área próxima para ocultar o ferimento.

Conforme a dermatologista, os níveis de precisão e assertividade da técnica cirúrgica de Mohs podem chegar a 98%. Isso só é possível porque, quase todas as margens do tumor são examinadas e comparadas pelo microscópio ainda durante a cirurgia. “Estudos divulgados pela Academia Americana de Dermatologia revelaram que em casos de carcinoma basocelular (tipo mais comum de câncer de pele), a possibilidade de amortização da doença do organismo pode ser de 99%, quando o procedimento utilizado é a cirurgia micrográfica. Já quando o tratamento se baseia no método convencional, a taxa de cura cai para 90%. Em casos de reincidência do tumor, as taxas de cura da cirurgia micrográfica ficam em 95%, e a técnica tradicional atinge somente 83%”, ressalta.

Além da assertividade e eficácia, a cirurgia micrográfica também oferece um grande ganho estético. “Esse benefício se torna possível porque o uso do microscópio permite a visualização minuciosa do tumor e suas ramificações. Tendo o conhecimento sobre isso, o cirurgião consegue delimitar a área exata a ser extraída. Sendo assim, a cirurgia micrográfica proporciona uma intervenção menos invasiva e possibilita a preservação de tecidos sadios”, destaca.

 

Ana Rosa Magaldi também lembra que ao longo da cirurgia convencional, o tumor e mais uma margem de quatro milímetros de tecido são removidos para garantir que nenhum resquício do câncer permaneça na área. “Já com o uso da cirurgia micrográfica, essa margem é de somente um milímetro. O que facilita muito a reconstrução e diminui o tamanho de uma possível cicatriz. Com isso, a técnica micrográfica é indicada principalmente para áreas como o nariz, pálpebras, lábios, orelhas e dedos. Ela também é muito recomendada para casos de recidiva do câncer de pele”, explica.

 

Por fim, a dermatologista adverte que a cirurgia micrográfica somente pode ser aplicada por um dermatologista habilitado e treinado no método de Mohs.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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