DestaquesDestrinchando

Era Digital

Era Digital

Era Digital 1

Por Danielle Morreale

SOMOS NÓS.

Com a globalização, o mundo mudou e todos nós mudamos. Nas relações, costumes e várias formas de interagir com esse novo universo. Antigamente, as referências sociais básicas das pessoas eram a família e a aldeia. As pessoas se reuniam em suas tribos, literalmente. Redes agrupadas, fechadas, integradas localmente. Costumes e valores eram cuidadosamente cultivados.

Hoje, com a era digital avançada, nos espalhamos extensivamente. Culturas locais se expandem na teia global. Nesse contexto, surgem também novas culturas híbridas. É natural encontrar redes que se articulam entre pessoas que frequentemente não possuem a mesma origem étnica ou nacionalidade em comum.

O que liga as pessoas são as suas paixões, seus interesses ou estilos de vida. A sociedade vive uma ruptura dos padrões e de grandes mudanças. Antes, as famílias eram unidades. Agora são unidades nucleares em um grupo. Isso porque cada membro tem o seu próprio telefone, interage com grupos de interesses e tem a sua própria rede.

Podemos dizer até que as famílias são os centros de múltiplas redes, onde cada indivíduo gerencia os aspectos sociais que considera importantes em sua vida. Um bom exemplo são as redes de mães, que crescem exponencialmente a cada segundo. Mães que se apoiam em diversos assuntos: amamentação, educação, carreira e até mesmo psicologicamente. Depois de me tornar mãe, passei a me identificar com vários grupos maternos. Antes disso, não sabia que existia e que era uma rede tão forte e estruturada.

Como a rede de pais, a rede de veganos, a rede de negócios. As bolhas vão se formando, conectando e formatando, fortes, mas também dispersas.

Diferente das tribos, onde cada um sabia da vida do outro, hoje as pessoas em rede praticamente não se conhecem. A tecnologia digital tem o poder de atrair pessoas entre si, mas ao mesmo tempo as interações permanecem frias e distantes. Vivemos tempos contraditórios.

Se antes havia dificuldade de se comunicar com parentes distantes, hoje temos essa possibilidade com um clique na palma da mão. É a era do individualismo em rede, as famílias estão a cada dia mais solitárias, mas sempre ligadas em grupos de Whatssap.

Temos muitos desafios pela frente, principalmente sobre o referencial que a nova geração, chamada pós-millennials (nascidos entre 1998-2018) vão se identificar. Com tantas modificações nas relações, é natural que essa nova era se reinvente também no âmbito profissional, re-produzindo as relações em rede, de forma não linear, aberta, sem hierarquia.

Estou falando das consequências da quarta revolução industrial, que já acontece em países mais desenvolvidos e não distante de nós. Um desafio vai ser introduzir na nova geração a importância de alguns conceitos, como as leis sistêmicas, que vêm antes, bem antes das redes digitais.

Extrair do individualismo e da frieza, da distância hiperconectada, os valores que estruturam todo esse conjunto de grupos sociais: onde todos somos um, amarrados em pontos nodais, interdependentes e sem exclusão. Somos um sistema no qual evoluímos, aprendemos e crescemos juntos.

E, como diz o psicoterapeuta alemão, Berth Hellinger, cada indivíduo tem o direito de pertencer. O ser humano é estruturado pelo tempo e através dele recebe o seu posicionamento, quem entrou primeiro tem precedência sobre quem entrou depois, por isso a importância de honrar quem chegou antes de nós.

E, por fim, a necessidade de compreender a lei do equilíbrio, uma pessoa que viola a hierarquia do tempo, a tragédia é compartilhada e todos sofrem juntos. Haja visto, no Brasil, o que estamos vivenciando nos últimos dias com a crise estruturada e a greve dos caminhoneiros.

Nessa grande teia, não há uma pessoa que esteja fora dos impactos gerados. Do sofrimento causado. É um momento de grande reflexão e de boas oportunidades para compreendermos o poder das relações, da co-dependência que temos uns com os outros. Onde ninguém é menos importante.

É hora de percebermos o poder dos elos, do respeito e do compartilhamento. Essa é a nova era!

Leia mais:

Veganismo

Lu Ferreira (Chata de Galocha)

Destrinchando

Destrinchando

Nutrição e imunidade 1
Anterior

Nutrição e imunidade

Saúde Emocional
Próximo

Saúde Emocional