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Sobre papéis, paredes e personalidade

Sobre papéis, paredes e personalidade

Sobre papéis, paredes e personalidade

Por Raissa Fortes

Os papéis de parede hoje tão utilizados na decoração, surgiram na China 200 a.C., quando os chineses começaram a usar papel de arroz para forrar as paredes. No início era branco e sem qualquer tipo de decoração. Depois, ele passou a ser produzido com o pergaminho vegetal, ganhando cores e desenhos feitos à mão por artesãos, além de carimbos de madeira embebidos em tinta para imprimir os desenhos.

Através do comércio árabe, o papel de parede chega à Europa, por volta do século VIII. Como qualquer novidade, a comunidade europeia só foi se adaptar com o novo estilo posteriormente, produzindo seus próprios papéis com motivos chineses. Surgindo a expressão, ou seja, chinesice, que os franceses utilizavam para designar esse estilo de papel de parede.

Os papéis substituíram quadros e tapeçaria nas paredes. Em meados de 1500, Francisco I convidou artistas renascentistas italianos, surgindo assim papéis com padrões totalmente europeus. Com o avanço das técnicas por Jean Papillon em 1675, foi possível utilizar cores sem restrições e abrir caminho para a mecanização.

Os papéis se disseminaram pelo Europa, passando a serem utilizados em bolsas, se popularizando no século XVIII. As casas reais se renderam aos encantos dos papéis de parede como Luís XI encomendando anjos sobre fundo azul, Luís XV com seus rococós sem limites e Luís XVI, abandonando de vez a encomendando papéis com motivos românticos e clássicos.

Com a progressiva industrialização dos meios de produção, a qualidade artísticas dos papéis de parede se tornaram claras. Nesse contexto, surgiu o movimento, protagonizado por William Morris. Ele buscava resgatar a função do desenhista e artesão como fundamental para a peculiaridade dos papéis de parede.

Morris difundiu os padrões alegres e florais do chintze, tecido utilizado em cortinas e capas para móveis, aplicando-o em papéis e em outros elementos da decoração. Mas como tudo em excesso, não teve bons resultados, terminando por ser o chintze julgado de mau gosto.

Depois da primeira e segunda guerra, os papéis de parede se modificaram, se tornaram mais simples e abstratos, de cores pálidas, pela falta de tintas e vernizes. A palavra de ordem era economizar.

Passado esse período de crise pós-guerra, os papéis retomam com força total, traduzindo em seus desenhos e motivos o que a sociedade vivia. Os anos 50 deram origem aos papéis-vinheta, reproduzindo ursinhos de peluche, fadas e cenas de cowboys.

Nos anos 60, o flock volta às paredes e ainda, com fundo dourado, para representar a paz e o amor renascendo. Figuras geométricas com cores quentes e jogos de profundidade. Acentuando essa tendência nos anos 70. Nos anos 80, o chintze retoma seu lugar à parede, com motivos românticos, alegres e florais clássicos.

No início da década de 90 o papel de parede passa a ser visto como de péssimo gosto, devido a sua anti praticidade e extravagância, tornando-se objetos obsoletos. Nos tempos atuais, o papel de parede é visto como tendência na decoração, tendo vários padrões e motivos que imitam até pedras, estampas de animais, cerâmicas e até papéis em 3D! Ousadia e criatividade não podem faltar. Vale misturar papéis de
parede, cores e texturas o que não pode é deixar a parede vazia e sem nada a dizer!

Beijuus e até!

Raissa Fortes

Raissa Fortes

Raissa Fortes é Designer de Ambientes, Desenhista, Advogada, observadora e curiosa, entusiasta do Design, das Artes e do comportamento humano.

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