ColunistasDébora Blanda

Sobre Justin Bieber

Sobre Justin Bieber

Aceite essa postagem como uma confissão.

Sobre Justin Bieber

Há alguns anos eu estava ouvindo uma música na rádio, uma música que eu tinha certeza ser de uma mulher, quando uma amiga disse “ah, essa música é do Justin Bieber”. Esse foi o primeiro contato que eu me lembro de ter tido com ele. Nosso relacionamento (se é que pode ser chamado de relacionamento) é cheio dessas surpresas. Depois desse momento eu continuei bem indiferente a existência dele, eu sabia que ele era novo, usava uma franjinha, fazia sucesso. Lembro de ficar sabendo que ele namorava a Selena Gomes e depois que ele tinha entrado numa fase “bad boy”, destruindo propriedades e coisas assim.

E aqui eu gostaria de abrir um parênteses: será que todos jovens que tem acesso a fama e dinheiro vão ter essa fase? Todos jovens artistas vão, inevitavelmente, usar drogas e na maioria das vezes abusar delas? Será que é apenas uma questão de escala? Afinal, quantos universitários hoje não ficam bêbados, dão vexame, “fumam um” de vez em quando, trocam de namorado/a com frequência? Será a fama que “estragou” esses jovens ou será apenas que no caso deles quando algo dá errado tem um bando de paparazzi empoleirados e no nosso caso o pior que acontece é um post no Facebook ou um vídeo constrangedor no Youtube.

Será que somos uma geração que não conhece limites, inconsequente, que escolhe prazer e ser feliz acima de tudo? Ou nós só queremos nos divertir e criar boas memórias, afinal “só se vive uma vez”? Eu acredito que todo assédio, fama e dinheiro (que, provavelmente, vem acompanhados de desconfianças e cobranças) amplificam as experiências desses jovens, eles têm mais acesso a drogas e relacionamentos e tudo que eles fazem tem uma repercussão gigante. Acho que pra eles é mais fácil “perder a noção”.

O próximo capítulo na minha história com JB foi no início desse ano, quando eu estava em Nova York, e em alguma loja a música que estava tocando no fundo era assim “if you like the way you look so much… you should go and love yourself”. Primeiro eu pensei que essa música era do Ed Sheeran. Quando eu chequei em casa (Airbnb no Brooklyn casa) e abri o Youtube para ouvir a tal música que tinha grudado na minha cabeça, a minha surpresa foi ver que:
1. Não era o Ed Sheeran e
2. Era o Justin Bieber cantando.
Esse foi o momento que eu travei: “sério que você tá gostando de uma música do Justin Bieber? “ Mas continuei ouvindo, afinal a “culpa” era da loja e não minha, e ficar com uma música na cabeça não significa muita coisa. Mas na volta pra casa (dormitório em Milwaukee casa) eu não só ouvi a Love Yourself como também outras músicas do álbum Purpose: Sorry grudou na cabeça mais que a primeira, e era animada de se ouvir. Fiquei apaixonada com o cenário de I’ll show you, gostei da What do you mean e fiquei pensando em como pessoas são complicadas mesmo que eu nem sempre me entendo o suficiente a ponto de me explicar, ou seja nem sempre eu sei o que quis dizer.

Mas acredito que quando se trata de relacionamento clareza é essencial. E eu fiquei pensando na mensagem do álbum, encontrar seu propósito. No fundo acho que todo mundo procura a mesma coisa: se encontrar em um lugar em que se pertence. Isso pra mim tem haver com se sentir parte de algo e encontrar seu propósito. Uma vida por viver parece pouco, vazio. Aí eu fiquei pensando no garoto que conquistou muito e muito rápido, que se perdeu mas que estava a procura de um significado pra própria existência, alguém que procurava propósito e que agora achou. Talvez na música e certamente em uma boa medida de fé. Ele como eu e mil outros viveu o suficiente para saber que a gente precisa encontrar um propósito na própria existência.

E como nossa história cheia de surpresas, foi o que me surpreendeu depois de ver alguns posts no Facebook, desabafos falando de como elas (também) estavam com Sorry na cabeça e passaram as férias ouvindo Justin Bieber. Como elas passaram pela fase de choque e negação, mas que agora tinham aceitado. Todas na casa dos 20, que mal sabiam quem o Justin era ou o que ele tinha feito. Até Jout Jout fez vídeo-desabafo. Todos nós começamos meio céticos e acabamos rendidos.

Não fosse suficiente ficar ouvindo Justin eu decidi coletar mais informações a respeito. Eu assisti o filme “Believe” e ali deu pra ver que:

1. Ele pagou língua, no filme ele fala como tem a cabeça no lugar e que teve uma excelente criação e nunca entraria numa fase bad
2. Antes eu achava que o assédio exagerado dos fãs era a causa da fase bad boy, mas depois do filme (manipulado ou não) eu acho que os fãs são a âncora dele
3. Eu lembrei da pressão que ele(s) sofre(m)
4. Ser famoso tem um lado bom, mais de um até, mas o que me chamou atenção foi os recursos e a liberdade para criar (claro, não tenho nem ideia de quanto ele deve ser podado e instruído o tempo todo) clipes, coreografias, músicas (letras e batidas), poder escolher quais profissionais você quer do seu lado. Percebi também uma idolatria absurda, gente que vive por Justin Bieber (e me perguntei se, nesses casos, as famílias não deveriam interferir de alguma forma), um garoto que vive para ser aceito e desejado por uma infinidade de estranhos e que, por consequência, não pode nem andar na rua.

Correndo o risco de parecer fanática, depois disso tudo eu li uma entrevista gigante. Achei a entrevista muito bem escrita e gostei muito por ser atual.
A repórter pontuou o que eu já tinha percebido, a música do Bieber está melhor, ele ganhou um novo público (do qual eu faço parte). Achei muito interessante como ela descreve ele como monossilábico, mas que como isso pode ser consequência de muita instrução sobre como se portar em entrevistas, um excessivo cuidado com o que falar (e não falar). E nessa parte eu me lembrei que no filme eu tive essa sensação, a de que ele era incapaz de construir uma frase complexa e clara, mas que ele tinha muita habilidade para criar as letras. Pensei em como as pessoas tem formas diferentes de se comunicar, de verbalizar, como algumas pessoas precisam da música para expressar uma ideia ou sentimento. Na entrevista ele pontua que todo mundo teria um macaco se tivesse a oportunidade, e eu concordei; pensa em quantas pessoas tem animais de estimação, se fosse algo acessível certamente mais pessoas teriam. Por fim, Justin Bieber deu uma lição de cristianismo. Ele entendeu que o amor de Deus não tem nada a ver com mérito, que somos salvos pela graça porque Deus nos amou e quis nos salvar e não por causa do que fazemos ou do quanto merecemos. Justin acredita em Deus.

Destrinchando

Destrinchando

Anterior

Vilão ou Herói

Próximo

Novas tendências