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Skate na comunidade. Fundador faz palestras em Viamão – Rio Grande do Sul

Skate na comunidade. Fundador faz palestras em Viamão – Rio Grande do Sul

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Bruno Oliveira, tem 22 anos é da cidade de Viamão/RS. Conheça um pouco do seu trabalho.

Comecei a andar de skate quando eu tinha 13 anos, como muitos skatista, conheci vendo os amigos andar na rua e me chamou a atenção. Um desses amigos, um dia veio em minha casa com o skate e pedi para ele me ensinar, e quando eu subi em cima, foi amor a primeira vista.

No outro dia minha vó me deu 10 reais para comprar um skate camelo de um amigo que estava vendo, assim comecei a andar de skate junto com outro amigo que eu acabei convidando e ele gostou da ideia. Infelizmente eu passei muito bullyng nos meus primeiros anos de skate, eu
não tinha roupa adequada, não sabia andar e todo mundo me falava: Larga disso, não vai ser nada, que guri ruim..

Incrível que mesmo com tudo isso, sem pista de skate, andando pelas ruas com os piores skate e roupa eu nunca desisti. De tanto que eu vivia skate, aprendi a andar, comecei a correr campeonatos, ganhei alguns e já vivia uma vida de atleta, até que um dia eu rompo meu ligamento do pé direito e isso me deixa muito mal, desisti do skate por 3 anos.

Eu fui abençoado esse caminho todo, sem menos perceber, sempre teve pessoas nessa jornada que me ajudava a continuar. Lembro sempre de 2 amigos e quero citar, um deles que foi o primeiro, o Didi, esse amigo, já mais velho, via minhas condições e me dava sempre skate, tênis, roupa e tudo o que eu não tinha. Me levava para as pistas de skate, pagava tudo para mim, me dava revista de skate para me incentivar a continuar, igualmente o Rodrigo, que fez uma pista de skate para andarmos, vi esse amigo tirar o próprio tênis do pé para eu não parar de andar.

Então tendo em mente isso, eu falei; Não posso ficar aqui parado, deixar de lado tudo o que Deus me fez passar com o skate, vendo a importância dos meus amigos na minha vida, eu resolvi criar um projeto. Chamei alguns amigos, e lancei a ideia e eles toparam.

Fundei a Skate na Comunidade, um projeto que atende entre 60 a 100 crianças, usando o skate como uma ferramenta que leva a transformação. O projeto também oferece aula de capoeira, inglês, influenciando a educação na escola. Esse projeto, não só mudou a vida de muitas crianças e jovens que estão ali ou já passaram, mas mudou a minha também.

Ali eu me encontrei, foi onde descobri minha profissão. Eu tive um passado meio bagunçado, já estive uma vez na televisão por ter pixado a escola, trazendo uma tristeza para minha família. Com esse trabalho, muitos canais de televisões começaram e me entrevistar, minha história de vida começou a ser contada por todos jornais e televisões, até o dia que eu fui viajar a primeira vez, para São Paulo, na ONG Social Skate, do meu amigo Testinha que exerci minhas aulas e aprendi muito.

Eu passei muito preconceito nas ruas, na minha escola e muitos lugares, não éramos aceitos. O trabalho que desenvolvemos na Skate na Comunidade transformou uma cidade, e não só aqui, muitos outros lugares. Comecei a ter convite de muitos estados para viajar, e fui a Brasil dentro, levando uma palestra chamada ” A vida do Prof Bruno” e eu achava que isso não seria tão legal, mas os resultados me surpreendeu, pois as vezes não temos ideia de quanto podemos ajudar os outros, apenas com o que já vivemos.

Minha palestra, tem atingindo todas idades, ela leva um motivação, uma forma de realmente acreditar e de acredita que tudo pode acontecer. Comecei esse trabalho em salas de aulas, hoje se lota salões para ouvir minha palestra. O fruto de tudo isso, é todo amor que foi implantado e ainda é, no meu projeto, ali aprendi muito, vi histórias de crianças que me ensinaram muito.

Um dos maiores feitos, foi ser contatrado pelo Novo Lar, que é uma escola aqui da cidade! eles acreditaram em mim num momento que precisava muito e colocaram skate como disciplina da escola, eu tinha carteira assinada como skatistas. Isso foi tão incrível, que um dos maiores sites do Brasil fez uma matéria assim ”De voluntário a professor Bruno” e assim eu descobri que eu nasci para isso, para ser professor de skate. É exatamente isso que levo para as pessoas, existe todo um trajeto, mas ele é necessário, algumas coisas não, mas o caminho é preciso ser andado!

A gente tem muitos mentores na vida, não necessariamente professores, e eu comecei a ser mentor de crianças numa praça e hoje, graças a Deus, consigo atingir muitas por ai e espero cada dia muito mais!

 

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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