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Sensibilidade

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Por Fernanda Mello

Ilustração: Adriana Rabelo

SENSIBILIDADE: VAMOS PEDIR LICENÇA PRO NOSSO LADO BRUCUTU?

Outro dia – numa roda de amigos – surgiu um assunto sobre o mercado de trabalho. Quando vi, lá estava eu discursando sobre a falta de sensibilidade que insiste em bater ponto.

Sim, sensibilidade. Delicadeza. Gentileza. Educação. Respeito. Palavras tão importantes que são facilmente esquecidas nos dias de hoje. Ah, não sei não. Acho uma falta de inteligência danada privilegiar apenas o saber e não valorizar quem tem uma visão generosa do mundo.

Acho que a combinação dos dois – conhecimento e sensibilidade – são um prato cheio para viver melhor, crescer pessoal e profissionalmente. Onde eu li isso? Bom, eu não li. Desculpe-me, mas eu só vivi. Nesses tempos em que fiquei sem escrever. (Será que a falta de delicadeza que eu vi gerou um buraco negro que engoliu minhas palavras?).

Enfim. Eu não enxergo por aí muito respeito. Gentileza, então, virou gíria dos nossos avós. Nada de bom dia, boa tarde, nem um olhar que te perceba como pessoa. Importante: não gosto de generalizar. Conheci pessoas que – no meio do salve-se quem puder! – dirigiram-se a mim e me agradeceram. Me deram – sem o menor constrangimento – um abraço sincero. Uma ajuda inesperada. Um elogio.

Um silêncio na hora certa. Não quero que ninguém confunda minhas reclamações com frescura. Isso pra mim é apenas a boa e velha educação pedindo passagem… Não é preciso dizer obrigada! a cada dez segundos. Mas antes isso do que deixar o nosso lado brucutu (acredite, todo mundo tem um!) falar mais alto e esquecer o que é cordialidade.

Você acha esse papo ultrapassado? Chegou, então, a hora de me desculpar. De novo. Acho que a pessoa que desenvolve sua sensibilidade para perceber o outro (seja no trabalho, em casa, na rua ou na fazenda), só tem a ganhar.

Uma promoção. Um trabalho melhor. Um namorado novo. Um amigo de verdade. Ou apenas um sorriso que – a meu entender – já vale o esforço.

Fernanda Mello

Fernanda Mello

Escritora e compositora, Fernanda Mello ficou conhecida por seu blog Coração na Boca e por suas inúmeras letras para bandas como Jota Quest, Tianastácia, entre outros, incluindo sucessos como: “Só hoje, “O que eu também não entendo”, “Mais uma vez”. Autora de 4 livros (Princesa de Rua, O menino que queria abraçar o mundo, Amor na TPM e Amar é punk), Fernanda também conta com um canal de crônicas digitais no youtube, que somam mais de um milhão de acessos.

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