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Seja marginal, seja herói

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Foto: Divulgação

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Por Valério Fabris

Há meio século, em 1968, começou a ser difundido um apelo no Rio: “Seja marginal, seja herói’.

Depois veio outro chamamento geral, copiado dos mimados de Paris: “É proibido proibir”. E, a seguir, veio a sentença de que não existe pecado deste lado de baixo do Equador.

Cumpriu-se o almejado destino.

Os marginais tomaram a cidade inteira, atacando em duas frentes: a dos bandidos das pulseiras e cordões de ouro; e a dos senhores do poder governamental, com seus relógios Rolex e Cartier, suas Ferrari e Lamborghini, e seus tribunais do faz de conta.

Cento e cinquenta policiais – a grande maioria deles negros – foram executados de janeiro de 2017 para cá.

Perdeu-se a conta dos ônibus incendiados e dos civis repentinamente assassinados, entre eles crianças e mulheres grávidas.

As execuções costumam ser repentinas, com descargas de fuzis, tal como ocorreu com a vereadora Marielle, do PSOL, ou lentas, precedidas de uma série das mais cruéis formas de torturas, até se chegar ao rito final de queimar a pessoa em pneus banhados de gasolina, como se deu, em 2002, com o jornalista da Globo, Tim Lopes.

Assim se cumpre o apelo de 1968, o ano que não terminou, e vai ser muito difícil terminar.

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