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Savassi

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Lucas Machado entrevista: Fernando Savassi

Da Padaria ao bairro, a Savassi contada por ele

 

 

 Savassi

A Savassi é um dos bairros mais tradicionais de belo Horizonte, conhecido por belo-horizontinos, desperta curiosidade e é referência para todos que vistam a capital mineira.

A verdade é que muitos dos que frequentam a Savassi acreditam conhecê-la de cabo a rabo. Mas será que eles realmente conhecem a Savassi? Para conhecê-la, temos que buscar suas raízes na história. Emoções e lembranças à parte, vamos lá!

Durante muitos anos, não só italianos como muitos europeus, atravessam o Atlântico e vinham para a América em busca de oportunidades. Eles traziam em suas bagagens estilos e tradições do velho mundo.

Pois foi assim, que por volta de 1890, chegou ao Brasil, o italiano Sr. Arthur Savassi, que foi o precursor de uma das famílias mais tradicionais da grande capital mineira. Ele chegou em Barbacena e, posteriormente foi para Belo Horizonte. Dois de seus descendentes, José Guilherme e Hugo Savassi, fizeram e mudaram a história da capital mineira, quando em 8 de maio de 1941, fundaram a Padaria Savassi.

A padaria Savassi, que leva consigo o selo de qualidade da família de mesmo nome, foi criada há 60 anos na Praça Diogo de Vasconcelos, conhecida hoje como Praça Savassi. Primeiro foi à praça e, na sequência, toda região do bairro Funcionários – onde a maioria dos funcionários públicos moravam devido à proximidade com os ministérios e secretarias públicas.

Se a padaria Savassi não tivesse existido, a história seria completamente diferente…

Tempos depois, em 1974, a padaria saiu da praça e mudou-se para a rua Rio Grande do Norte, pois já não mais era permitido estacionar nas imediações da praça e a região passou a ser um pólo comercial. Foi quando o Sr. José Fernando Savassi, mais conhecido como “seu Fernando”, assumiu a gerência do empreendimento que até hoje funciona e atende não só os consumidores como também presta serviços como coffee breaks coorporativos.

Os registros históricos mostram notoriamente, que o popular “sangue italiano” acena para um passado onde seus ancestrais eram homens que defendiam seu nome através da honra e honestidade. Como não poderia deixar de ser seu Fernando, segue a risca essas características.

Aos 72 anos de idade, esse belo-horizontino de origem siciliana, carrega consigo a embrionária, Padaria Savassi, resultado de seu fascinante tino para o comércio, cujas faculdades garantiram-lhe o sucesso. Seu Fernando nunca teve medo do trabalho e soube aproveitar a primeira oportunidade que lhe foi dada por seu pai.

Esse hoje senhor, fez jus aos valores familiares que herdou, assim como a paixão pelo próprio nome. Ele trabalha desde 12 anos de idade na mesma padaria e conta que a Savassi é a vida dele. Sr. Fernando completou 2º grau no Colégio Marconi, é pai de seis filhos e já se casou duas vezes.

Bem, devido a todos esses fatos e à riqueza das experiências vividas por seu Fernando que a nossa equipe, eu e o forógrafo, acompanhamos de perto a rotina de um dia de trabalho.

Rua Alagoas, Rua Sergipe, Rua Pernambuco, finalmente, Rua Rio Grande do Norte nº 1436, 2h30 da manhã. Contaremos a história de um homem íntegro, muito correto, que carrega consigo desde a sociedade puritana de Belo Horizonte, o sobrenome Savassi.

 

Seu Fernando, qual é a delimitação do bairro Savassi?

Da Praça Milton Campos até a avenida Brasil.

 

O senhor imaginava que a Savassi iria virar um grande centro de entretenimento e gastronomia, ponto de encontro de jovens de várias tribos?

Tinha a B. Moreira, empresas grandes… A gente sabia que iria crescer muito, todo mundo investia aqui, e sempre foi bem freqüentado.

 

Como é ter um sobrenome italiano e, ao mesmo tempo, ser de uma família tão tradicional de Belo Horizonte?

É super normal. Isso começou por que ao invés de dizer, “vamos prá padaria!”, diziam: “vamos prá Savassi!”. Foi assim durante anos e todos acabaram se acostumando. Aí, o nome pegou.

 

A sua família sofreu muito por ser italiana?

A gente cumpria com nossas obrigações, não tivemos muitos problemas. Mas durante o período da Segunda Guerra Mundial, a padaria foi destruída. Houve um quebra-quebra, pois naquela época o boato de que navios alemães e italianos destruíram navios brasileiros se espalhou e, em represália, algumas pessoas quebraram a padaria por sermos italianos.

 

O governo brasileiro indenizou sua família quando a padaria foi quebrada?

Eles indenizaram, mas foi muito pouco, não deu para cobrir nem a metade.

 

Dizem que a padaria era ponto de encontro de jovens na época e tal, como era isso?

Os jovens na época vinham para a Savassi para namorar, era muito tranqüilo.

 

Existia a turma da Savassi? Como é que era naquela época?

Existia uma rivalidade entre turmas, muitas turmas não gostavam das outras e, cada um queria tomar conta do seu espaço! Meu filho! Era igual no Rio de Janeiro, um querendo tomar o lugar do outro. O Danilo, meu primo, sabia mais disso, era mais da época dele.

 

Alguma turma era mais rival de vocês?

Tinha a turma da Praça da Liberdade, de vez em quando tinha briga.

 

Dizem que grandes personalidades freqüentavam a padaria, quem eram essas pessoas?

Tancredo Neves, Milton Campos, Pedro Aleixo e Afonso Arinos, dentre muitas outras personas eram nossos fregueses assíduos.

 

E a família? O que a dona Vera representa para o senhor?

A Vera minha esposa, é tudo pra mim na minha vida. Quando o sujeito é bem casado, a mulher representa tudo.

 

Como foi o seu namoro com ela? Vocês beijavam?

Beijo, só na testa! A gente dava a mão, namorava. Com muito respeito! Eu sempre digo pro Marcelo, meu único filho homem, que tem que ser respeitador e muito correto com as namoradas.

 

A Vera nos contou que o senhor acordou outro dia e disse que tinha sonhado que tinha tirado uma folga. Por quê? O senhor não faz isso?

Nunca tirei folga! Trabalho de domingo a domingo, não folgo nunca.

 

Qual foi a maior lição de vida que lhe foi passada por seu pai?

Um dia estava conversando com ele… E falei que me sentia muito honrado, pois em todo lugar que entrava, era bem tratado e as portas estavam sempre abertas. E então ele me disse: faça com seus filhos aquilo que eu sempre fiz pra você.

HONESTIDADE NÃO É VIRTUDE É OBRIGAÇÃO. Fui..

 

 

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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