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Savassi radio

Savassi Rádio

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Por Lucas Machado

“Você aí que está descendo a BR, freie seu automóvel para não bater… Para tudo. Põe o papai e a mamãe na sala, porque agora é uma hora só com Rolling Stones!” Locutor da Radio Savassi FM

No final dos anos 1990, mais acostumado à democracia, o Brasil começava a despertar para assuntos relacionados à cidadania, criando canais livres de opinião, sugestão e denúncia.

Foi quando surgiram, como um meio alternativo de comunicação, as rádios comunitárias: um movimento que tinha como diferencial o baixo custo na produção aliado à liberdade de conteúdo quase irrestrita.

Passamos a arrebentação e dropamos nas ondas do rádio, para embarcarmos em uma viagem “loka”com Gustavo Ziller, Rodrigo Vilarinho, Franklin Valadares e Léo Proza, “os menino”.

Eles lançaram, em março de 1998, uma das primeiras rádios comunitárias, homologada e outorgada, de conteúdo colaborativo e totalmente voltada para estudantes, a “Associação Comunitária Estudantil da Zona Sul de Belo Horizonte”, ou Savassi FM.

“A rádio foi montada por nós, mas não tinha um dono. Era feita para os jovens e, o mais importante: o jabá era para o público, não para a rádio”, explica Vilarinho. A maior parte da programação musical era feita a partir da coleção de discos dos próprios caras e com o som de bandas independentes.

“Apostamos na valorização cultural da capital mineira, com programas como o ‘Põe na roda’, uma mesa redonda que levava produtores culturais e artistas consagrados para discutir assuntos da cena local.

Tinha também o ‘Make it Funk’, que se transformou no Movimento Balanço, e o ‘Espaço Livre’, voltado para músicos independentes que, além de rádio e TV, tinha uma coluna no jornal Estado de Minas”, dispara Ziller.

As parcerias com Alberto Blanco e Giuliano Laucas (os primeiros a acreditar financeiramente no poder da rádio perante os jovens) e a colaboração de músicos como Juliano Mourão, Bauxita e diversos agitadores culturais, formaram a combinação perfeita para a criação de projetos ousados, que ganharam, rapidamente, espaço entre o público jovem.

Uma das iniciativas mais conhecidas foi a realização, por três anos consecutivos, da Semana Mundial do Rock, com shows gratuitos espalhados pela cidade, oficinas de música, arrecadação de alimentos não perecíveis e um grande show de bandas eleitas pelos ouvintes, na Diogo de Vasconcelos, ou melhor, Praça da Savassi.

Mesmo sendo uma rádio de concessão comunitária, a Savassi FM foi fechada por acusação de pirataria: “Não estávamos completamente adequados. Queríamos fazer, mas não sabíamos como. Erramos por ingenuidade e não por querer invadir o ‘dial’ das outras emissoras”, comenta Gustavo.

O telefone e o prédio que abrigava a rádio na Avenida Nossa Senhora do Carmo podem não ser mais os mesmos. Mas de uma coisa podemos ter certeza: as grandes ideias e atitudes podem ser perigosas para quem   tem coragem e sobrevive a elas. A história está repleta de exemplos nesse sentido. Esses caras provaram e tiveram o que falta nos dias atuais: atitude. A lição que fica é a seguinte: não espere, faça.

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Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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