DestaquesPaulo Solmucci

Savassi

Savassi

Savassi

Por Paulo Solmucci

A Savassi tem potencial para se tornar o nosso Quartier Latin.

Ambos não são bairros, e sim regiões. Isso significa que não estão cartesiana mente, demarcados nos mapas de Belo Horizonte e de Paris.

O Quartier Latin destes trópicos teoricamente tem como limites, de um lado, a Praça da Liberdade, e, do outro, a Praça ABC. Encosta em Lourdes, no São Pedro e no Santo Antônio. A Savassi europeia fica entre o 5º arrondissement e um pedaço do 6º bairro, na margem esquerda do Sena, em torno da Universidade de Sorbonne.

Eles são tão charmosos que o morador do Funcionários prefere dizer que seu endereço é a Savassi. O residente do 5º arrondissement prefere dizer que o Quartien Latin é o seu domicílio.

Se algum belo-horizontino ou francês quiser reclamar de minha ignorância na geografia das capitais mineira e francesa, fique à vontade. Dou a mão à palmatória, inclusive porque só sei que estou na Savassi ou no Quartier Latin farejando o ar, olhando as vitrines, sentando-me à sombra de um toldo qualquer.

Alguém dirá que estou maluco, porque a Savassi jamais será o Quartier Latin. Pois é óbvio que não é isso que estou dizendo. Apenas coloquei o Quartier Latin como uma referência, haja vista que essa região parisiense é repleta de hotéis, lojas, cafés, creperies, delicatessens, bistrôs, museus. A Savassi, por sua vez, tem bares, cafés, lojas, galerias de arte e livrarias, embora não se possa dizer que esteja repleta desses estabelecimentos.

A primeira grande diferença – entre lá e aqui – é que lá se pode abrir uma loja, uma galeria, um bar ou restaurante em todos os quarteirões, indistintamente. Aqui, não. Criam-se obstáculos de toda ordem, a começar pelo fato de que, na Savassi, como já me disse a urbanista Du Leal, há quadras em que só se permitem moradias. Há pedaços em que se permite o comércio; noutros, não. O nosso potencial de nos tornamos uma espécie de Quartier Latin está sufocado por uma mentalidade atrasada, tacanha, subdesenvolvida.

Aqui, há muitos que negam a cidade, morando nela. O parisiense celebra a cidade. Por isso, Paris é a cidade mais visitada no mundo. Por isso, as cidades europeias – como Londres, Barcelona, Berlim, Viena ou Florença – estão repletas de turistas. A força de atração que as cidades do continente europeu exercem sobre os habitantes de todo o planeta são as suas ruas vivas, resultado da mistura dos locais de moradia, trabalho, cultura e entretenimento.

A Savassi poderia, sim, ser o Quartier Latin deste pedaço dos nossos trópicos, se aqui a mentalidade fosse outra. Entre nós ainda há muitos que querem um apartamento sem comércio de vizinhança, como se estivessem na roça, no mato, em um matozinho qualquer. São pessoas que saíram da roça, mas a roça não saiu delas.

Confira outra matéria sobre a Família precursora da Savassi.

Savassi

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

Anterior

Seres Extra Terrestres

Próximo

Aluguel de Smoking