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Rogério Fernandes

Rogério Fernandes

Por Lucas Machado

Premiado como artista plástico revelação de 2011, concedido pela Editora Abril, Rogério tem em seu currículo inúmeras exposições coletivas e individuais, no Brasil, Madri, Viena, Miami, Buenos Aires e Amsterdam.

Nas poucas vezes que o entrevistei, apesar de um grande amigo – inclusive uma delas para televisão, e mais: fazendo Live Paint – ele sempre parece enxergar algo que não nos é possível ver. A indeterminação da construção das suas obras, sempre sem um ‘time definido’ e, ao mesmo tempo, as organizações naturais de seus trabalhos, transpostas claramente em suas falas são, na minha opinião, além do físico, uma passagem da pura intenção de uma semente germinando. É essa imaterialidade na arte que nos mantém infinitos.

Rogério Fernandes

Foto: Mila Milowski.

No caso de um artista autodidata é natural que as coisas se transformem com maior facilidade e transparência. Piauiense de família nordestina, Rogério afirma que deve muito seu estilo aos Cordéis, surrealismo e ao Pop Art . “Eu acho que foi meu start. Não é hoje o meu estilo propriamente dito, podemos dizer, mas volta e meia recorro aos primórdios para aplicar modernidade de cores, formas e linguagem, a cultura pop, paleta de cores da pop art. Eu mesmo não paro para me avaliar, isso é para acadêmicos e literários”.

Foto: Mila Milowski.

Perguntamos que a maioria dos artistas está se inovando e, mesmo com a renovação, aparecem novas formas em mutação sempre. Como ele poderia dizer o que vem acontecendo na sua arte há algum tempo em relação ao seu trabalho?

“Na verdade, vem mudando desde sempre muitas coisas, pois o processo de criação é contínuo, ele nunca para, estou sempre me reinventando. O que mudou é que o Rogério Fernandes deixou de ser um artista e agora é uma empresa voltada para divisão em categorias. O atelier de arte, que é uma produção desde o começo; a marca, que é uma filosofia, uma coisa mais abrangente; a arte aplicada a vida.

O Atelier cria a arte e o Rogério Fernandes store cria o produto e as telas. São coisas distintas e, ao mesmo tempo, harmônicas entre si. Seja um quadro, um copo, uma camisa, um abajur, são os mesmos sentimentos em aplicações diferentes.

Foto: Mila Milowski.

Todos os processos da minha arte eu cuido pessoalmente, o que garante o meu trabalho e meu conceito. É uma inspiração em Andy Warhol que, além de empresário, cineasta e pintor, tinha um atelier multi e considerado por muitos o rei do pop art.

Eu crio uma parede, sacolas, de supermercado, crio dentro da arte diversos produtos, mas com a filosofia de nunca expor a marca do cliente, isso é uma ideologia minha, pode até vir na caixa do cliente, mas a marca é Rogério Fernandes”.

Foto: Mila Milowski.

 

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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