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Rodrigo Fraga volta as Passarelas confira entrevista exclusiva.

Rodrigo Fraga volta as Passarelas em Brasília e nos da uma entrevista exclusiva

Destrinchando

Um dos maiores nomes da moda masculina brasileira Rodrigo Fraga, finalmente sai de um longo jejum das passarelas para mostrar uma coleção inédita no Brasília Trends, evento de design que acontece a partir do dia 22 de novembro em Brasília e promete boas surpresas na noite de abertura. Ele falou com exclusividade para o Destrinchando sobre o evento e sobre os rumos da marca que leva o seu nome.

1- Rodrigo, li a pouco tempo uma entrevista que você dizia não ter a intenção de voltar a desfilar com a sua marca em semanas de moda. Você acaba de anunciar um desfile de uma nova coleção em Brasília. O que fez você mudar de ideia e como surgiu esse convite?

Eu me referia ao compromisso e a obrigação de ter que lançar coleções verão e inverno de 6 em 6 meses como eu fazia em São Paulo e todo aquele processo enlouquecedor e frenético de ter que administrar criação, desfile, vendas, produção e distribuição. Em Brasília é diferente, será uma participação especial. Aceitei o convite por motivos bem pessoais. Me identifiquei com a diretora artística do evento que me fez o convite Ana Paula Osório. Primeiro pelas afinidades que temos em querer sempre fazer o melhor naquilo que propomos a fazer e segundo pela sua confiança e ousadia em convidar uma marca masculina para essa função de abrir o evento indo em contramão a tudo que acontece normalmente nas semanas de moda sempre com desfiles femininos. Com isso o evento já ganhou um certo frescor, o que justifica a minha participação como estilista convidado.

2- Quando foi o seu último desfile?

Contando com os dois desfiles ainda em fase experimental que eu fiz em Londres, eu já fiz 11 desfiles com a minha marca. O último feito em semana de moda foi em 2006 no São Paulo fashion Week. Eu fiz em 2012 um desfile solo que fez parte de um evento que reuniu diferentes vertentes artísticas e criativas em comemoração dos meus 20 anos de profissão. Foi um desfile retrospectivo com looks de acervo reeditados e foi em um outro formato diferente do habitual. Foi no grande teatro do Sesc Palladium e amei a experiência de poder explorar outra forma de fazer um desfile. Em Brasília será apresentado uma coleção inédita. Motivo esse pela minha empolgação.

Desfile solo 2012 ( Retrospectiva dos 20 anos de carreira)

SPFW (São Paulo Fashion Week)

SPFW (São Paulo Fashion Week)

SPFW (São Paulo Fashion Week)

3- Os seus novos croquis sinalizam que algo clássico e empolgante está por vir. O que o público pode esperar de Rodrigo Fraga nesse retorno. Você pode adiantar para os nossos leitores o que será mostrado?

Já tem um bom tempo que o foco do meu trabalho tem sido a criação de roupas sob medida, sobretudo alfaiataria. Me consolidar nesse seguimento era um projeto antigo. Hoje quando falam meu nome aqui, naturalmente sou associado a esses tipos de roupas. O que pra mim é uma honra, porém a marca Rodrigo Fraga nasceu de um desejo pessoal em unir ideias que transitam bem entre os dois universos, clássicos e esportivos. Eu sempre criei pensando nesses contrastes. Para essa coleção eu fiz um mergulho nas origens da marca com a intenção de trazer a tona a mais pura essência do meu conceito inicial. Claro que hoje muito mais aprimorado já que a alfaiataria que antes era uma coadjuvante agora assume um papel principal.

4- O seu sobre nome carrega uma carga enorme de expectativas em relação a criatividade, inovação e ousadia porém a sofisticação sempre é atribuída a você e ao seu trabalho. Qual é o perfil do cliente Rodrigo Fraga?

O trabalho que eu desenvolvo em meu ateliê tem como foco principal atender os desejos dos clientes. Qualidade nos serviços prestados e qualidade dos produtos oferecidos é o que o meu cliente procura. Eu participo diretamente do atendimento do início ao fim e em todas as etapas do processo desde a compra de matéria prima, modelagem, corte e parte da execução. A sofisticação nesse tipo de trabalho é um reflexo do perfil dos meus clientes. Esse serviço vai muito mais além da roupa. Eu ofereço uma consultoria de estilo e imagem agregado.

5- Qual o balanço que você faz do seu trabalho e o que mudou durante esse período longe das semanas de moda?

O balanço que eu já fiz é cem por cento positivo. Consegui colocar em prática esse projeto de roupas sob medida e exclusivas. Consegui focar, aprimorar e o mais importante dar atenção maior o que mais importa, detectar com mais precisão quem é o meu cliente. Hoje quando eu crio eu faço com muito mais leveza justamente por ter um domínio maior para quem eu estou criando. Eu gosto muito da magia dos desfiles mas não vejo isso como uma prioridade já que hoje com as mídias digitais é possível explorar formas diferentes de mostrar e vender seus produto.

Alfaiataria sob medida Rodrigo Fraga

6- Qual a sua expectativa com essa sua participação no Brasília Trends?

Sou uma pessoa naturalmente ansiosa com forte tendência ao perfeccionismo. Minha expectativa porém é que os convidados tenham uma noite mágica e emocionante.

7- Você já assinou vários figurinos para as artes cênicas, já foi premiado por esses trabalhos e recentemente surpreendeu com os figurinos cheio de personalidade para o espetáculo música de brinquedo 2 da banda Pato Fu. Suas criações tem um certo toque cênico e extravagante mas ao mesmo tempo leve e desejável. Como você consegue esse equilíbrio na hora de propor roupas para o Homem brasileiro com uma cultura conservadora e machista?

Para mim existe uma enorme diferença entre ousadia e extravagância. Nunca enxerguei extravagância em meu trabalho até mesmo porque ele reflete muito sobre mim e eu não sou uma pessoa extravagante mas sou ousado quando eu desejo ser. Ousadia é algo que pode ser dosado ao passo que a extravagância não. Eu tento propor justamente um equilíbrio entre o conservadorismo e a ousadia tudo nas medidas certas. Há quem vê extravagância em meu trabalho conceitual mas até prefiro ser visto assim do que ser visto de uma forma apática.

Espetáculo – Música de Brinquedo 2 ( Banda Pato Fu)

8- Você havia anunciado a abertura do seu espaço nas dependências do Grande Hotel Ronaldo Fraga, loja do seu irmão. O que aconteceu que esse espaço tão aguardado durou pouquíssimo tempo?

Eu havia sido convidado para fazer parte do projeto inicial com o espaço masculino Rodrigo Fraga. Ao contrário do que muita gente achava lá não seria o meu ateliê até mesmo porque o espaço físico não comporta um ateliê de costura que é local de trabalho, produção e bagunça. Ateliê não funciona assim em locais aberto ao público. Lá seria uma forma de poder atender a demanda que eu tenho de um outro perfil de cliente da marca que sempre procura minhas roupas casuais para o dia a dia e que fiquei um bom tempo sem produzir. Essa parceria não aconteceu no aspecto profissional como deveria ou como eu esperava que fosse, com isso a decisão de sair do projeto partiu de mim. Eu acho aquele casarão lindo e a ideia do coletivo muito interessante, contudo eu prefiro continuar conduzindo o meu trabalho da forma como eu sempre fiz do meu jeito.

9- E esse projeto de vendas da sua linha casual para o varejo foi engavetado?

Não!!!! Muito pelo contrário. Dentre as novidades desse novo desfile está o início das minhas vendas on line e com entrega em todo território nacional de alguns itens da coleção que entrarão em produção para darmos início ao que eu tanto prometi a esses clientes. Estou animado com isso também!

10 – Rodrigo, muito obrigado mais uma vez pela sua nobre atenção em ter tirado um tempo nessa etapa final de seu trabalho e dar essa entrevista para o Destrinchando. Desejamos a você um sucesso nesse retorno e que a noite de abertura seja realmente como você deseja ser, mágica.

Eu que agradeço pelo carinho, atenção e respeito que sempre tiveram comigo e o meu trabalho.

Ahhh. Platicando. Usted es siempre bienvenido aquí nuestro invitado de honror !!

Confira as fotos.

Croqui da nova Coleção – The Kings of Regent Street

Foto: Cristina Lima (Exposição 20 anos de Carreira)

Prêmio de melhor figurino de teatro 1999

Foto: Marcio Rodrigues (Início dos trabalhos Sob Madida)

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