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Réveillon 2017

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Réveillon 2017

Por Paulo Solmucci

O RÉVEILLON E O GAJO DA NAFTALINA

Que 2017 seja próspero para três milhões de jovens, entre 18 e 24 anos, que não encontram trabalho. Que seja próspero para um milhão de jovens que, todos os anos, abandonam o ensino médio.

Que os rapazes e moças de todo o nosso Brasil saiam da armadilha de ter apenas uma opção: se trabalham, não estudam; se estudam, não trabalham.

Que 2017 permita aos jovens brasileiros conciliar estudo e trabalho. A nossa moçada sabe muito bem que lá fora é normalíssimo alguém estudar e trabalhar.

Uma coisa não conflita com a outra. Isso porque há contratos de trabalho em que o sujeito escolhe o dia e a hora que quer trabalhar, recebendo, proporcionalmente, todos os direitos de um empregado qualquer.

Aqui, ao travar o emprego dos jovens, a gente trava a educação deles, e vice-versa. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Os dados estão aí. São dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Educação.

Os donos de bares e restaurantes de todo o país estão lutando para que os nossos jovens tenham também o direito de escolher um contrato de trabalho que lhes permita conciliar, de um jeito muito civilizado, a escola com o serviço.

Ou seja: que tenham tempo de descansar, de preparar as lições, de se deslocar sem chegar atrasado. Com o apoio de um milhão de donos de bares e restaurantes do país inteiro, há dois projetos de lei em andamento no Congresso Nacional: um na Câmara dos Deputados, outro no Senado.

Estão instituídos neles o contrato de trabalho em escala móvel, com todos os direitos assegurados: férias, décimo terceiro, aposentadoria, fundo de garantia, seguridade social etc. É o contrato de trabalho intermitente.

Há uma resistência enorme por parte dos sindicalistas à moda antiga. Eles só admitem o contrato de trabalho no tamanho único de 44 horas semanais, modelito do ano de 1943. Ou seja: a pessoa trabalha em blocos de turnos. Entra no serviço numa determinada hora, digamos às dez da manhã.

E sai em determinada hora, digamos às seis da tarde. O resultado é que, depois de enfrentar um trânsito horroroso, o rapaz ou a moça chega à escola em cima da hora, cansado, desmotivado. Não fez as lições de casa. Não estudou para prova.

Leva bomba. Vai se desmotivando. É assim que um milhão de estudantes abandonam o ensino médio todos os anos.

Se o indivíduo ficou desempregado, aí é que não estuda mesmo. Como é que se paga o ônibus, o material escolar, a roupa, a vida?

Os jovens de 18 e 24 anos representam 25% dos 12 milhões de desempregados brasileiros. Mas, o sindicalista dos tempos da naftalina sentou em cima de uma lei que foi feita durante a II Guerra Mundial, quando sequer havia a vacina contra a pólio.

Todos os países pra lá de organizados – e eles são mais de cem – foram ajustando suas leis trabalhistas ao longo do tempo. Veio a televisão, o homem foi à lua, desapareceu a máquina de escrever, a internet está presente em qualquer situação do cotidiano.

Mas o gajo da naftalina diz: não, não e não!

Que 2017 coloque no porão do antiquário esse indivíduo que é contra a água encanada. Que neste réveillon todos cantemos, viva voz ou mentalmente: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Ainda paga pra ver o jardim florescer, qual você não queria.

Você vai se amargar vendo o dia raiar, sem lhe pedir licença. E eu vou morrer de rir, que esse dia há de vir, antes que você pensa”.

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Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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