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Quem não cola – não sai da escola

Quem não cola – não sai da escola

Quem não cola, não sai da escola

Por Amanda Ferr

Quando somos estudantes sempre encontramos maneiras de burlar o olhar arisco dos professores e montarmos planos mirabolantes, verdadeiros esquemas da máfia da cola organizada. E vale tudo, borrachas rabiscadas, pernas escritas sob um vestido mais longo, papeizinhos colados sob os cabelos da colega da frente, textos digitados em fonte 02, códigos e sussurros.

E quando a vida acadêmica chega ao fim saímos quase especialistas em métodos e técnicas na arte de colar.
Numa sala de aula pode-se tudo, ou quase tudo. Engane-se o professor, mas primeiramente a si mesmo. Um saber decorado ou copiado não garante um emprego na selva de asfalto que nos espera.

Mas ainda assim é divertido todo aquele burburinho, e ao final a sensação de que conseguimos, enganar o professor e de quebra uma nota alta no boletim. Mas e depois?

Uma rasteira no trabalho, um problema em família, um amigo que sofre, um amor que se vai, e não encontro. Procuro embaixo do vestido, no canto da bolsa, nos papéis embolados e não acho.

Onde está a cola que irá me salvar dos infortúnios que nos surpreendem todos os dias? Não há cola nem professor. Não há notas ou reprovações. É só você com você mesmo. E haja jogo de cintura, rebolado, suor, lágrimas e paciência. Sobretudo, paciência.

Para as regras de bom comportamento: Socila. Para notas baixas: provas de recuperação. Para reprovação: um novo semestre. Para o não saber: professores e livros. Para a praticidade: internet

Mas e para a dor que te consome à 01:00 da manhã? Para a solidão de não se ter com quem falar, mesmo cercado de gente? E para um parente doente? E para a morte de um amigo? Para a perda de um amor?

E para o desânimo, a descrença e a falta de fé? Quem não cola não sai da escola E quem cola sai, despreparado para as provas da vida.

 

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