Fernanda MelloMulheres

Quebrando o gesso

Quebrando o gesso

(ou melhor dizendo: vamos matar o mito da Cinderela!)

 

Crescer é difícil. Amadurecer não é para amadores.
Definitivamente, uma das coisas mais dolorosas do mundo é assistir a nossa ingenuidade morrer, aos poucos, com todas as dores e sabores que isso venha trazer.
Ah, Barba Azul! Ô, Conto de Fadas!
Refugiar-se nas ilusões é um porto seguro: mágico e belo.
Mas, também, traiçoeiro.

A expectativa é – e sempre será – o caminho mais sedutor para futuras tristezas e profundas decepções.
Parece-lhe triste? Eu, honestamente, acho.
Durante a vida, a partir das nossas vivências, moldamos – sem perceber – o nosso gesso de pessoa ideal. E tentamos, sem cessar, encaixar quem nos interessa nesse molde imaginário, que criamos em nossas mentes.
Não é, na pior das hipóteses, injusto?
Tanto para nós (iludidos de plantão), quanto para os, então, pobres engessados?
Acredito que sim. (E já vivi plenamente os dois lados).
A realidade do amor não é feia, nem amedronta. Mas, por ser diferente do nosso ideal, nos machuca fundo. E fere.
Porque gesso não afrouxa. Gesso não parte à toa. Gesso não quebra sozinho. Gesso não relaxa ou estica. Gesso só deixa de ser gesso se estilhaça. E, gesso SÓ estilhaça, quando a gente quer: desconstruindo um mundo inteiro de ilusões perfeitas, que criamos durante toda uma vida.

Aí eu me questiono: vale a pena?
Para quê lançar o martelo com força naquele molde tão bem produzido e ver a decepção e o sofrimento virem à tona?

Porque, meu caro, isso se chama CRESCER.

Quebrando o gesso

 

É dar adeus ao superficial.
É mergulhar fundo em si mesmo e, de quebra, conhecer o outro. Com todas as imperfeições possíveis.
Ter um relacionamento com pessoas reais, o que inclui defeitos e qualidades pra lá de reais.
Mas também dá uma alegria sem tamanho. Que nenhuma ilusão de historinha infantil é capaz de proporcionar.

Final feliz que nasce e morre todo dia!

Fernanda Mello

Fernanda Mello

Escritora e compositora, Fernanda Mello ficou conhecida por seu blog Coração na Boca e por suas inúmeras letras para bandas como Jota Quest, Tianastácia, entre outros, incluindo sucessos como: “Só hoje, “O que eu também não entendo”, “Mais uma vez”. Autora de 4 livros (Princesa de Rua, O menino que queria abraçar o mundo, Amor na TPM e Amar é punk), Fernanda também conta com um canal de crônicas digitais no youtube, que somam mais de um milhão de acessos.

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