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Porto Alegre e eu: prontos para a decisão nos pênaltis

Porto Alegre e eu: prontos para a decisão nos pênaltis

Porto Alegre e eu: prontos para a decisão nos pênaltis

Por Vinícios Mendes Lima

Bah, cara, acho que prefiro falar sobre os pênaltis da semifinal da Copa do Brasil.

Essa tem sido a minha resposta aos questionamentos que recebi na última semana sobre a atenção que destino as favelas e o rendimento médio delas em capitais que não a minha.

Tu deves imaginar o quão dolorido é o assunto, visto que prefiro falar do jogo em que vi no Mineirão meu time ser eliminado.

Os dados que apresento agora são confiáveis, porém não deste ano – o que me preocupa ainda mais, pois vá saber os efeitos da crise por lá. Em Porto Alegre, contrariando o que vi nas favelas do Rio de Janeiro e de Buenos Aires, mais de 60% das casas possuem renda inferior a um salário mínimo. E veja só – não por acaso -, quase 60% dessa fatia também é composta de trabalhadores com carteira assinada.

Não precisa ser Peter Drucker para unir esse número ao fato de Porto Alegre ser a capital mais “medrosa” do Brasil para o empreendedorismo (comprovado por pesquisas) e chegar a uma conclusão de qual o problema residente lá.

Comparando, o rendimento do trabalhador da favela é 50% inferior ao que está fora dela. E esse está dividido em 108 regiões periféricas, o que equivale a 13,68% da população. Não é pouca gente.

Talvez tenha sido por ver – por estar entre – essas pessoas, saber dos potenciais e vislumbres de negócios, de alguns casos isolados que com muita força coletiva tornam-se inspiração aos demais, que um dia meu olhar se abriu para a base da pirâmide. E como em toda casa de ferreiro, o espeto é de pau…

Muito apreensivo – porque é mais seguro apenas constatar do que encarar o desafio para si -, neste mês dou início em Porto Alegre a um curso voltado a abertura de negócios na população de baixa renda. Nas aulas, vamos do sonho, da realização pessoal, ao caderninho de fluxo de caixa, passando pela praça, preço, produto, e tendo o céu como limite. Na metodologia prevista, só saímos da sala de aula com um negócio pronto.

E me deixando mais ansioso ainda, nessa semana, o Centro de Pesquisa das Favelas – Empreendedorismo na América Latina (CEFA), instituição que criei junto a professores e pesquisadores da área, iniciou uma pesquisa em 9 países e mais de 100 cidades da América Latina com questões que abordam desde o perfil dos empreendedores locais, quanto os tipos de negócios, renda, condições, estratégias e dificuldades. O objetivo é transformar o que é informação (dados colhidos) em conhecimento (políticas públicas e
privadas) para as localidades. E nunca mais ter que lidar com dados defasados. Porto Alegre é uma das capitais estudadas.

E tudo isso por quê? Porque é melhor mudar esse cenário porto-alegrense do que ter que voltar a falar da Copa do Brasil.

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