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PORQUE HOMENS NÃO CHORAM

PORQUE HOMENS NÃO CHORAM

 

Destrinchando

 

A criança ainda está no ventre da mãe curtindo os momentos do que virá a ser o paraíso perdido, e lá, fora do conforto quentinho, o drama já começou. “É menino? Então o quarto vai ser azul”. A pressão começa na cor escolhida para o quarto e roupas, passa pelas brincadeiras permitidas até chegar às emoções. O que um garoto NÃO pode sentir?

Hoje em dia falamos mais do que nunca a respeito da nossa sociedade machista, mas é preciso dizer que não apenas nós mulheres sofremos com tal modelo, os homens também sofrem, mesmo sem poder sofrer. Porque se homem não chora, homem também não sofre, não é mesmo? Não, não é mesmo.

Uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia aponta que 80% dos homens sofrem (viu?) com a falta de habilidade para colocar as emoções e sentimentos em palavras. E vai além, o número de suicídios entre os homens é bem maior do que entre as mulheres.

É natural que desde cedo os homens sejam mais cobrados no que se refere a sua firmeza de atitudes, afinal a natureza deu a eles características psíquicas de iniciativa, maior força física e a impulsividade necessária para o enfrentamento imediato de desafios e problemas. Isso não quer dizer, contudo, que não lhes é permitido a tristeza ou o choro. É permitido e indicado sim, chorar para elaborar a tristeza a que qualquer ser humano está sujeito. E que fique claro, não estou apoiando a lamúria, nem falando de homem chorão, gente chorona é chata, não apenas os homens.

Quem nunca escutou um pai ou mãe dizendo ao filho:_ “pare de chorar, meninos não choram, seja homem, seja forte.” E se você me perguntar se as mães também dizem isso vou te responder que sim. Existem mães tão machistas quanto os pais. E um dos vários motivos é que ao longo dos séculos foi criado um estereótipo de comportamento pela sociedade e as mães esperam que seu filho homem, macho pegador se enquadre nele. Mas posso garantir a vocês que é por amor, é por machismo também porque esse conceito patriarcal em que vivemos está enraizado na maioria das pessoas, mas os pais mal percebem, e o desejo deles é que o filho seja forte o suficiente para enfrentar a vida que lhe espera.

Se pensarmos que as guerras foram lutadas em sua maioria pelos homens devemos então imaginar que essa era uma dura realidade onde era proibido chorar, era proibido inclusive sentir tristeza, medo ou qualquer outra coisa, porque não havia tempo nem espaço para isso. Era lutar ou morrer. Tempo para refletir a respeito de si, para conversar, trocar ideias com outros homens, não havia. Se falarmos em autoconhecimento, nós mulheres estamos anos luz a frente dos homens. Apesar disso, enquanto reivindicamos mais espaço profissional eles começam a reivindicar seu espaço emocional, ainda bem.

Tenho em consultório apenas 15% de pacientes homens em análise, eles têm sim mais dificuldade em se expor. Ainda assim vejo hoje em dia um maior numero de pais passeando com seus bebes, ou com seus cachorros e, mais homens assumindo o lar. E esse treino vem, além dos questionamentos das novas gerações, da brincadeira de casinha com a irmãzinha ou com a coleguinha.

Particularmente acho lindo homem vestindo rosa, pedindo ajuda, derramando uma lágrima ou baldes quando se emociona com o filho e, ainda adoro quando abre a porta do carro para eu entrar. Uma coisa não precisa anular a outra, gentileza não é machismo, chorar não é frescura.

Mas os homens que questionam o modelo de vida e comportamento impostos a eles e que desejam mudar precisam saber que, qualquer mudança é recheada de possíveis crises, afinal ela vem acompanhada de criticas, de bônus e também de ônus. E precisam saber principalmente que, a mudança autêntica deve ser feita de dentro para fora, visando um bem estar próprio e não para agradar alguém, mas essa será uma, bem vinda, consequência.

Senão sofrem as mulheres e sofrem os homens, calados, mas sofrem.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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