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Pigmentando e apimentando

Pigmentando e apimentando

Pigmentando e apimentando

Por Raissa Fortes

Pigmentando e apimentando a história

As cores como pigmentos tem sua origem há mais ou menos 35 mil anos atrás, no período paleolítico. Pigmentos naturais como ocres e óxidos de ferro eram utilizados como corantes.

Arqueólogos descobriram evidências de que os primeiros humanos costumavam pintar o corpo para fins estéticos.

A maioria dos pigmentos eram derivados da terra, de alguns minerais e mais tarde teve sua origem biológica, através de resíduos animais, insetos e até moluscos. A cor mais significante e mais antiga é sem dúvida a cor Vermelha. Já se utilizava o vermelho obtido a partir de argilas e terras avermelhadas. A partir do período Neolítico descobriu-se a era Garance, cujas raízes produzem cor avermelhada.

Ao longo do tempo, começamos a usar pigmentos a partir de certos metais, como o ferro e o mercúrio.

Na Roma antiga, produzia-se um tipo de vermelho a partir de uma concha encontrada no Mar Mediterrâneo. Por ser rara, apenas roupas de imperadores e chefes de guerra eram tingidas com esse pigmento. Ao longo do tempo essa concha foi sendo cada vez mais rara.

Na Idade Média, a partir da conquista da América, os europeus descobriram que os nativos do Peru já produziam o vermelho a partir dos ovos de um inseto chamado Cochonilha. Era uma vermelho vivo e mais brilhante e foi chamado de Carmim.

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Quando os Espanhóis invadiram o Império Asteca, o Carmim se tornou a segunda mais valiosa mercadoria da região. Esse pigmento serviu para colorir os tecidos das vestes dos cardeais católicos e os uniformes de soldados ingleses.

Por ser difícil a produção do Carmim, o preço era alto e somente os senhores das altas classes poderiam usar. Os camponeses só podiam usar roupas vermelhas a partir da Garance, que era mais barato e menos luminosa. A partir daí, já se notava a diferença de classes.

Por esse motivo a partir do século XIII e XIV o papa começa a se vestir de Carmim, assim como os cardeais.

Mais tarde, com a descoberta do Brasil, os europeus descobriram o Pau-Brasil e suas utilidades como pigmento. A espécie tinha o dobro da quantidade de tinta do que outras espécies.

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O extrato do pigmento é obtido com o cozimento das lascas de madeira em água fervente e através da concentração do pigmento no vácuo. O Pau-Brasil foi amplamente usado na Idade Média para todos os fins, desde manuscritos a vestuários e foi substituída por cores sintéticas mais brilhantes no século XVII.

Outro pigmento curioso e associado à realeza é a cor Púrpura. Tyrian Purple ou Royal Purple era um pigmento conseguido a partir do muco de uma espécie de caramujo e com tintas de vários moluscos como o Murex Brandaris e Purpura Haemostoma, encontrados na costa do Mediterrâneo e do Atlântico e nas Ilhas Britânicas.

A produção para uso como tintura de tecido começou em 1200 a.C., pelo Fenícios e foi continuada pelo Gregos e Romanos até 1453 d.C. com a queda de Constantinopla. Por ser um pigmento complexo e raro de produzir, tornou-se associado ao poder e riqueza.

Curiosidades:

Antigamente, o sistema cromático girava em torno da tríade Preto, Branco e Vermelho. O branco representava o que não tinha cor, o preto aquilo que era sujo e o vermelho era considerado a única cor.

Uma das interpretações da fábula;Chapeuzinho Vermelho, se refere às cores dominantes utilizadas na história: uma menina de chapéu Vermelho, carrega um pote de manteiga Branco e o leva para sua avó que era vestida de Preto.

Outra curiosidade é sobre o Rosa ser uma cor feminina e o Azul masculina. Antes o Azul era uma cor feminina por causa da Virgem e o vermelho uma cor masculina, pois era símbolo de poder e de guerra. Com a Reforma Protestante, que considerava o vermelho uma cor imoral (associada à besta), as coisas se invertem: a cor masculina passa a ser o Azul e o Vermelho (sendo o rosa uma versão mais light do vermelho) a cor das mulheres.

As cores e suas simbologia tiveram origem no passado e foram perpetuando ao longo do tempo ou se transformando. Pigmentos eram algo extremamente valiosos e definiam uma classe e um estilo de vida.

Hoje, literalmente pintamos e bordamos com as cores e seus usos, profanamos e invertemos seus significados, popularizando-as. E isso é fantástico!

Beiiijuss e até!

Raissa Fortes

Raissa Fortes

Raissa Fortes é Designer de Ambientes, Desenhista, Advogada, observadora e curiosa, entusiasta do Design, das Artes e do comportamento humano.

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