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Pescaria na moda

Pescaria na moda

Destrinchando

Por Lucas Machado

Marca de Slow Fashion faz coleção com restos de materiais descartados no mar. Confira;

Talvez você ainda não ouviu falar sobre o que é o Slow Fashion. Em síntese é uma moda altamente sustentável, com atenção voltada para as matérias-primas ou melhor, de onde elas se originam. Evitando trabalhar com materiais por exemplo, usados na mão de obra escrava e/ou com lastros de degradação ambiental.

Esses princípios trouxeram a tona uma parceria entre a marca Santa Costura de todos os panos e a Mar Limpo. O preceito foi levado muito a sério na cooperação. Se o ideal é que o lixo não chegue ao mar, o que depende de políticas muito mais sérias nas cadeias de produção, consumo e reprocessamento, os dois parceiros procuraram traduzir em roupas – um dos principais emblemas culturais de um povo ou de uma sociedade – a denúncia dos sérios prejuízos que estão sendo provocados pelo descarte criminoso de resíduos nos mares e oceanos, a grande base da vida na Terra.

Através desta parceria foram resgatados ao final de 2016 do litoral norte de São Paulo pedaços de lonas de embarcação que viraram peças da coleção da marca. O tecido nada usual foi transformado em uma das peças confeccionadas no início de 2017 nas oficinas da Santa Costura de Todos os Panos. A linha exclusiva de roupas, assinada pela estilista e proprietária da grife Gabriele Meirelles, foi lançada ontem, dia 7 de fevereiro, e é mais uma expressão cultural da crescente preocupação com as múltiplas ameaças aos mares e oceanos, sobretudo no caso do gigantesco descarte diário de lixo.

A estilista desenhou e as costureiras da grife dedicada ao público feminino produziram quatro tipos de peças de roupa: saia, calça, blazer e bermuda. Também foram concebidas bolsas de uma lona mais dura, azulada, revestidas com redes de pescar camarão, igualmente recuperadas no Litoral Norte paulista, mas desta vez no Estaleiro Ordario, no rio Juqueriquere, em Caraguatatuba.

Gabriele Meirelles admite ter sido um desafio trabalhar com as lonas como matéria-prima. “Nós trabalhamos com tecidos muito mais leves. Houve uma certa dificuldade em passar as lonas pelas máquinas de costura”, conta a estilista. Como não era viável usar a lona mais grossa para roupas, o material foi utilizado como base para as bolsas. As alças para as bolsas foram fabricadas com o apoio de um artesão da feira do Centro de Convivência Cultural, no bairro Cambuí.

O reuso de materiais é uma novidade para a Santa Costura de Todos os Panos, mas a grife sempre esteve antenada com os conceitos da moda sustentável ou slow fashion, que leva em conta os cuidados com a origem da matéria-prima, com as questões sociais e ambientais presentes na cadeia produtiva. “Nós temos parceria com costureiras locais, a nossa produção é pequena e também comercializamos em nossa loja produtos de outras marcas que consideram os mesmos conceitos”, lembra Gabriele Meirelles.

Mais uma vez, vemos ações que acalentam nossos corações e almas, vendo a preocupação com o que nos resta para cuidar e fazer nossa parte. Iniciativas que realmente vale a pena contar e transferir para que outras possam acontecer.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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