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Paralisia

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Paralisia

Por Maria Laura Tergilene – Londres

Paralisia, talvez seja a palavra correta para descrever aquele momento. Ele estava focado naquelas curvas que se mexiam como um oceano em um fim de tarde de verão. Com todos os seus perigos e beleza, carregados de sentimentos, energia, suspiros e arrepios. Uma travessia tentadora, sem caminho de volta.

Tudo que ele conseguia pensar era no próximo movimento, no que sentiria, no prazer daquele momento, mas não no que se passava pela mente dela. Mas afinal, que culpa ele têm?

Como um castelo bem protegido, sua mente sempre foi trancada em 7 chaves, talvez 7 acontecimentos, 7 amores, ou desamores. Não pergunte nada. Ela não quer se comprometer, com apenas uma simples decisão ou com tudo ao seu redor.

Ela é misteriosa, talvez apenas amedrontada. Mas quem poderia saber? Ela não entrega sinais e todos os movimentos pareciam ser meticulosamente calculados.

As vezes mostrava-se ser moldada em gelo, pelas mãos do artista mais fino e ao mesmo tempo louco, mas não conseguia esconder aquele fogo interno, ardente, que queimava tudo a sua volta. E ele conseguia sentir. Sentia queima-lo de fora pra dentro, vagarosamente…

Mas acima de tudo, ela própria já havia se transformado em cinzas, também paralisada, por dentro, no fundo de sua alma… – ‘Fixava meu olhar em um ponto fixo e só sentia aquele pedaço de pano passando por entre minhas pernas e indo para o chão, preparando-se para aquele momento, que não significava nada, ou talvez tudo.

Mais uma lagrima escorria pelo meu rosto, molhava-o delicadamente, mas passava longe de apagar aquele cigarro que parecia já fazer parte de mim. Aquele símbolo de desespero que gritava posicionado em minha boca, chamava mais atenção que o sorriso branco.

Sorriso do qual aquele rolo de tabaco fazia questão de apagar, juntamente com todas as angustias e incertezas. Mas será que apagava? Ou será que seria apenas mais um vicio? Algo costumeiro que criava em mim a ilusão de solução? Afinal, sou ótima em ilusões!

Talvez a morte seja a solução para esse desespero interno, e essa seja apenas uma forma mais leve de lidar com essa escolha.’ – O calor do cigarro havia desaparecido. Sua mente a atordoava e o seu peito clamava por um pouco de calma. – ‘Preciso parar de pensar! Tantas contradições e perguntas sem respostas.

Pensar cria incertezas e angustias… Talvez mais um cigarro cairia bem…’ – Enquanto isso, lá estava ela, encarando aquele homem deitado em sua cama.

‘Se concentre! Nem sei o que estou fazendo aqui, mas sei que gosto. Gosto de vê-lo sentir. Talvez seja só mais uma forma de prova pessoal, sei la. Talvez seja mais uma entre minhas centenas de duvidas e teorias.

Eu nem sei porque essas lagrimas estão caindo. Mas tudo bem, ele não vai perceber, esta muito ocupado vendo a direção que aquela minha velha calcinha rosa vai seguir…’

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