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Palcos da vida

Palcos da vida

Destrinchando

Por Lucas Machado

Foto: Paulo Mercadante

Poltronas e cadeiras de teatro ou cinema, nos levam ao mundo Imaginário. Confira;

Respeitável Público.

Quando as luzes da plateia e a luz da tela ou do palco se acende vamos nos desmaterializando. O espaço físico é anulado a medida que o espectador se deixa levar pelo mundo ficcional que o envolve sensorialmente.

No espaço de deterioração deste vamos dizer transe, abstraímos não só a vida que continua com seu roteiro nem sempre original fora da sala de espetáculo, mas também a noção de espaço e tempo.

Sob a poltrona vivenciamos a possibilidade de sermos outra pessoa, de ir a outros lugares, viver situações limites, amar personagens incríveis. Podemos até sentir aquela vontade da infância de colar os chicletes de baixo da cadeira, esqueça o certo, estamos em outro mundo.

Ao ver as cadeiras assim vazias e silenciosas, me vem a mente no hiato sem espetáculos o turbilhão desordenado e caótico ao que somos expostos sentados nela com os olhos vidrados na cena a frente.

Seja qual o acento, eles fazem parte de uma série de pontos cegos no espaço urbano. Depois do espetáculo, quem se lembra da marca do Táxi ou do Uber que você pegou? A cor da cadeira, a decoração da mesa do restaurante, a roupa do pessoal da pipoca. Te garanto. Poucos.

Aquilo que é funcional na sociedade e com o que nos relacionamos de forma automatizada tende a se apagar dos nosso olhos e, consequentemente, da nossa memória. Auto lá: afinal não podemos viver apenas robotizados e informatizados. Só distraídos venceremos, pode acreditar.

Mas aos poucos vamos voltando ao mundo real, pois infelizmente a vida nos chama de volta, mas fica aqui a deixa: Vamos mais ao teatro e ao cinema, vamos nos divertir, pois do lado de fora, todos nós já sabemos que não somos e não estamos sendo tratados como o verdadeiro, respeitável público.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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