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Palácio da Alvorada

Palácio da Alvorada

©2011 Joana Franca

©2011 Joana Franca

CLIMA DE RESTAURANTE NA NOITE DO ALVORADA

Por Paulo Solmucci

Um encontro tête-à- tête é imprescindível para se aparar arestas. Sempre é. A conversa é a base da democracia.

A vitória do governo e da sociedade brasileira na primeira rodada de votação do projeto que põe limite nos gastos públicos só foi possível graças a uma boa conversa, em meio à atmosfera de garçons, pratos, talheres e taças.

Prevê-se para o próximo dia 24 a segunda rodada de votação na Câmara dos Deputados. Se vencer o jogo nessa segunda partida, o projeto terá, também, de ser aprovado duas vezes no Senado.

O que consolidou a tendência de vitória, já no primeiro embate, foi o encontro entre o governo e os parlamentares em torno da mesa – a mesa do jantar.

O presidente Temer convidou congressistas e cônjuges ao Palácio do Planalto, servindo-lhes quatro opções de prato: carne ao molho madeira, salmão grelhado com legumes, massa com tomate seco, risoto de funghi. O vinho era brasileiro ou argentino.

Para a sobremesa, pudim de tapioca. O jantar ocorreu na noite de domingo, 9 de outubro. Iniciou-se às 19h. Estendeu-se por cerca de três horas. Compareceram 215 parlamentares, sendo 31 deles com as esposas.

Havia também ministros e assessores, totalizando, mais ou menos, 300 pessoas. Na manhã seguinte, se daria o pontapé inicial das discussões e da provável votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que impede o aumento dos gastos públicos além da variação inflacionária do ano anterior.

O ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República, Eliseu Padilha, previa que entre 355 e 365 votariam a favor. Para a aprovação, seriam necessários pelo menos 308 votos.

Resultado: a proposta obteve 366 votos favoráveis, assinalando uma vitória espetacular. O presidente percorreu as cerca de 40 mesas, cada uma com oito lugares, cumprimentando e conversando com os presentes.

Foi o último a jantar. Pediu que seus interlocutores ajudassem a destravar o Brasil. Não precisou entrar em pormenores. Isso porque, antes de se iniciar os serviços dos garçons, os economistas José Márcio Camargo, da PUC-RJ, e Armando Castellar, da FGV-RJ, que não fazem parte do governo, expuseram a situação, por meio de powerpoint e de telas espalhadas pelo salão.

Em tudo, o clima de um grande e acolhedor restaurante. Os convivas sendo recepcionados – já na entrada do Alvorada – pelo casal Michel e Marcela. Lá fora, a longa fila de automóveis, avançando lentamente. A cena da vida cotidiana repetia-se: o condutor desliga o motor, passa a chave ao manobrista, enquanto ajeita o paletó.

O funcionário do cerimonial abre a porta para a dama, que, antes de pisar fora do carro dá uma olhadela no espelho e, sutilmente, ajeita o cabelo.

O que o Brasil mais precisa é de conversa. Esta é a missão da Abrasel: entrelaçar o Brasil. Temos de nos voltar para o outro. Viver com o outro. Conviver. Temer e Marcela moram no Palácio do Jaburu. Saíram de casa, na noite do domingo, para rever amigos e conhecidos.

E, também, para criar novos relacionamentos. O Alvorada foi tomado pelo jeito Abrasel de ser. Sim, a missão da Abrasel é motivar as pessoas a largarem a poltrona do desconforto masoquista.

O encapsulamento nutre o individualismo e a divergência. A missão da Abrasel é fomentar o diálogo, o pacto coletivo, o ‘viver com’ – o ‘conviver’. São mais de um milhão de estabelecimentos da alimentação fora do lar, entre bares, restaurantes, cafés e bistrôs, pelo Brasil afora, de norte a sul, de leste a oeste.

Cada um deles é, por menor que seja, um terreno fértil para que os brasileiros se encontrem consigo mesmos. É somando que mais prosperidade vamos ter para compartilhar com as gerações de agora e do amanhã.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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