Débora Blanda

Onírico

Onírico

Uma das palavras que eu mais gosto é onírico. É um adjetivo cujo significado é “relativo ao sonho”. A palavra tem origem grega óneiros, sonho. Minha predileção por essa palavra está totalmente ligada ao significado que ela carrega. Afinal, sonho é algo muito intrigante e pra mim quanto mais maluco, melhor. Imagina quando na vida acordada você teria a chance de voar, ser funcional de baixo d’água ou fugir de zumbis? Sim, já sonhei tudo isso; e quando acordo e fico com saudade do sonho, da loucura, adrenalina e fico também eufórica e grata pela aventura vivida. Acho que até vale a pena dormir de barriga cheia pra sonhar mais. E que me intriga?  Que estado é esse que sua mente fica tão ativa e que você fica à mercê, incapaz de controlar ou decidir. Você não tem controle da mesma forma que você não controla as batidas do seu coração. E você percebe o quê e quem tem ocupado sua mente. E me intriga como seu dia e tudo a sua volta influencia essa jornada silenciosa: o banheiro que nunca chega no sonho quando, na realidade, seu corpo só quer fazer suas necessidades ou o incessante som do despertador em forma de telefone ou sirene…

Onírico

Daydreamers

Mas pra mim o onírico é menos a parte confusa e subconsciente e mais bela e poética. Sabe quando alguém fala que “foi tão perfeito que parecia um sonho”? Onírico pra mim é isso: algo lilás e bonito, mágico e encantador. Me lembra outra palavra que também vem do grego: quimera. A quimera pode ser a figura mitológica, o híbrido de leão cabra e serpente, mas pode ser também usado para falar de algo feito de partes diferentes ou ainda “coisa resultante da imaginação” e “esperança irrealizável”. Quando as definições de dicionário trazem “coisas” você se dá conta de quão abstrata é a palavra procurada (e como eu gosto de abstrações!). Eu gosto muito do que resulta da imaginação, que justifica a familiaridade que encontro entre onírico e quimera. E a parte da esperança irrealizável me trás aquela sensação apertada e azul, típica da utopia: algo tão bonito quanto inatingível.

Se a insônia é para os night thinkers, onírico é para daydreamers, para quem mesmo acordado deixa o pensamento passear e se perder, antecipa uma próxima odisseia e encontra as cenas mais bonitas dentro da própria cabeça. Tudo que é onírico me encanta, me tem. Até mesmo os pesadelos me agradam, eles me agradam porque no final a gente acorda e o alívio que a gente sente é recompensador. Além disso, por mais aterrorizante que um sonho seja ele é também uma aventura e, como você já deve ter percebido, nem dormindo eu dispenso adrenalina. Onírico é o desenho que, por não ser fotografia, é desprendido de realidade. Desejo a todos nós uma vida real mais onírica e incontáveis sonhos malucos.

Destrinchando

Destrinchando

Anterior

Livros

Próximo

Carros antigos e cinema