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Olimpíadas 2016

Olimpíadas 2016

Olimpíadas 2016

Por Amanda Ferr

E as olimpíadas o que é, que será meu irmão?

O Brasil é um país de belezas indiscutíveis. Creio que não haja em nenhum outro lugar do mundo, céu de azul mais acetinado. De matas mais densas, de brisas mais frescas, de flores mais delicadamente exóticas, de frutos mais sensuais.

Cristo, tocando o céu, quase molha os pés no mar, abre seus braços majestosamente sobre suas criações, e como bom anfitrião que é, recebe a cada filho seu com rajadas de sol e som de cuíca.

Morenas e rodas de samba… carteado e bossa nova, tudo isso regado a fartas poções de torresmo e caipirinha. E não há momento mais propício para apreciar essas belezas que não no maior
espetáculo esportivo do mundo: As Olimpíadas. Principalmente quando é nesse cenário deslumbrante que ela esta sendo realizada.

Todas as janelas estampadas com as bandeiras no Brasil, e se vê com lágrimas nos olhos o verde e o amarelo espalhados por todas as cabeças, unhas e corações.

É… a gente quer valer o nosso amor, a gente quer valer nosso suor, a gente quer valer o nosso humor, a gente quer do bom e do melhor, a gente quer carinho e atenção, a gente quer calor no coração, a gente quer suar mas de prazer, a gente quer é ter muita saúde, a gente quer viver a liberdade, a gente quer é ter felicidade.. Lindo reflexo do nosso povo já havia cantado Gonzaguinha tão sabiamente.

Mas será que se ainda estivesse vivo sobre as nossas selvas e mares, ele ainda cantaria tais versos com o mesmo orgulho de ser brasileiro?

É claro que emociona ver um país unido e colorido com as cores de sua bandeira na torcida pela vitória e em busca de medalhas, mas talvez, se ainda estivesse entre nós, ele, desejasse intimamente que o país se colorisse com essa mesma intensidade para defender mais que medalhas, mas sua honra.

A gente esta exposto a tudo, com os nervos em frangalhos porque somos a vergonha de um governo corrupto, que lava dinheiro debaixo de nossos narizes.

A justiça leva mais de dez anos para condenar políticos ladrões, não temos infraestrutura sequer para nossa gente, que dirá para receber visitantes, os hospitais estão mortos, e a saúde doente.

Nosso povo mal fala a nossa língua, como poderá se expressar senão por gestos e mímicas com os estrangeiros? O trânsito caótico de nossas cidades entrarão em colapso, com as vias entupidas, artérias
congestionadas e falta de oxigenação.

Parada cárdio-esportiva à vista. Estamos às vésperas das Olimpíadas, e os aeroportos e ainda há obras e detalhes a serem acertados.

Milhares gastos em enormes elefantes brancos que em nada nos serão úteis, no período pós olimpíada.
Manifestações ainda que bem intencionadas, infestam todos os cantos da cidade, impedindo que o Sr. Zé, a Dona Maria, cheguem em casa a tempo de requentar a janta.

Esse é o cartão de visitas que os Senhores Governantes querem deixar para os convidados da festa?
Acham que pintando paredes, desapropriando moradias e varrendo os mendigos da rua para debaixo dos esgotos irão conseguir empurrar a sujeira para debaixo do tapete?

O povo está revoltado e a revolta é justificada, mas mal direcionada, já que o que é destruído são nossos próprios meios de transporte, bancos e lotéricas. Somos vítimas de nós mesmos e não estamos percebendo.

Se não queríamos as Olimpíadas, deveríamos ter nos unido e juntado nossas forças antes, e aí sim ido pras ruas, fechado aeroportos, feito greves, parado o país. Mas agora, é tarde, ela já está debruçada em nossa janela. O jeito é driblar, matar no peito e enfiar na rede.

Eu gosto de esporte. Sou Brasileira até minha última gota de sangue, na Copa, nas olimpíadas e no gingado. Sou de bola e de confusão. De vôlei e de manifestação. Mas sou do povo.

Eu visto a camisa sim, toco cornetas, torço choro, coloro o rosto e a alma de verde amarelo a disputa, a cada novo passe, a cada drible ou grito de vitória, mas no fundo o que eu desejaria mesmo, é que após o último espetáculo do Brasil, nós não guardássemos mais as camisas, as bandeiras e o orgulho no fundo do armário para só retirá-los de lá daqui só na próxima copa ou olimpíada, mas saíssemos às ruas
novamente e fizéssemos a revolução.

Mas até lá, que o Cristo pisque lá do alto para Neymar, para a Marta, para a Jade e tantos outros.

Estamos no mata-mata.

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