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O trabalho intermitente vem ai

O trabalho intermitente vem ai.

O trabalho intermitente vem ai

Por Paulo Solmucci

O jovem brasileiro que estuda no Canadá pode trabalhar nas horas que quiser. Assim, levanta uma grana para a sua subsistência. Ele escolhe o dia e horário que pegar no serviço. Monta a programação de trabalho de acordo com as suas conveniências. Por exemplo: será ajudante de cozinha ou garçom em um estabelecimento qualquer: lanchonete, café, bar ou restaurante.

Vai ralar das dez ao meio-dia da quarta-feira, das 14h às 18h de quinta, das 18h às 22h dos sábados. Quer dizer: ainda lhe sobra tempo para ir à escola, estudar em casa, e se divertir um pouco, porque ninguém é de ferro.

Mas não é só no Canadá que isso é possível. O emprego em tempo parcial é legalmente oferecido na Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, Áustria ou Alemanha. Em todos os países que têm uma economia mais ou menos organizada, o trabalho intermitente funciona que é uma beleza. E no Brasil, hem? Puxa vida! Aqui não pode não.

A nossa legislação trabalhista passou a vigorar em 1943, quando não havia Rita Lee. E não havia televisão ou vacina contra a poliomielite. As leis dos trabalhos foram feitas, então, com um tamanho único. O antiquado modelo continua o mesmo. Você tem de trabalhar um turno completo, com intervalo para a refeição. Entra no serviço às oito da manhã e sai às quatro da tarde. Entra às onze da noite e sai quando o sol já raiou.

Na época em que foi aprovada a lei, estávamos em plena 2ª Guerra Mundial. As notícias chegavam até nós apenas pelo telégrafo. Se a gente compara os dias de hoje com aqueles dos anos 1940, tudo virou pelo avesso. Os homens andavam de chapéu. As mulheres estavam encarceradas no lar. Eram proibidas das práticas esportivas, como o futebol de campo, de salão ou de praia. Até 1962, precisava de autorização do marido para trabalhar fora de casa.

É como diz Nelson Motta, na canção de Lulu Santos: tudo muda o tempo todo no mundo. Mas as nossas leis trabalhistas, não. Ficaram presas aos tempos dos coronéis e capitães da velha indústria. Mas vivemos a era flex, self-service, sob medida.

A Abrasel está se mexendo para que o nosso parlamento traga pelo menos esse pedaço da legislação “laboral”, como dizem os advogados, a este século XXI. No próximo plá, aqui no Destrinchando, contarei como estão andando as articulações. Só adianto o seguinte: o trabalho intermitente vem aí.

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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