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O irrevelável segredo de Oscar

O irrevelável segredo de Oscar.

O irrevelável segredo de Oscar

Por Paulo Solmucci

foto: Oscar Paiva

Um mineiro está fazendo sucesso em São Paulo. Descobriu o seu filão: vender utensílios gastronômicos de pedra-sabão.

Seu nome é Oscar Paiva. Chegou na capital paulista em 1996, quando tinha 28 anos de idade. Trabalhou como faxineiro e porteiro. Um dia lembrou-se de um importante detalhe da infância. O pai era tropeiro. Tinha 40 burros. Andava por Minas vendendo querosene, cobertores, ferro de engomar. No meio de tantas mercadorias, havia algo mais: panelas de pedra-sabão. Acompanhava o pai nessas cavalgadas, junto com alguns de seus 13 irmãos.

Sequer completou o ensino fundamental. Fabrica os utensílios no ateliê que mantém em Itaverava, próxima a Conselheiro Lafaiete, para onde viaja a cada 15 dias. Ida e volta somam 1.460 km. Faz o acabamento das peças em Osasco, na Grande São Paulo. Fabrica panelas, pratos, frigideiras, cumbucas, formas para pizza e o que mais freguês quiser.

Os empresários da gastronomia de São Paulo descobriram que os utensílios de pedra-sabão dão um charme todo especial aos seus bares e restaurantes. Ao lado da beleza do artesanato, as panelas e cumbucas contam com a vantagem de manter o alimento aquecido por longo período. Muitos donos de restaurantes deixaram para trás as panelas de barro, que, frequentemente, contêm amianto. As de pedra-sabão, não. Puras como toda a natureza que

Deus deu a Minas. O artesão Oscar Paiva está faturando legal. Tem 180 clientes. Há entre eles muitos bares e restaurantes de primeiríssima linha. Por exemplo: o Clos de Tapas, o Attimo e o Myk, que são especializados, respectivamente, nas cozinhas mediterrânea, italiana e grega.

O que Oscar nos ensina é que os novos caminhos da gente muitas vezes estão dentro da gente mesmo. Estão nas eternas lições da infância ou da adolescência. Estão no chão que a gente pisou.

Em São Paulo, Oscar se reencontrou ao trazer de volta o seu pai tropeiro. No seu cavalgar paulistano, levou a pedra-sabão a outras paisagens. A clientela da Pauliceia passou a viajar por surpreendentes e inesquecíveis sabores. Seja o da comida oriunda das costas mediterrâneas ou das ilhas grega. Isso não importa. Agora todos os pratos são portadores de um indecifrável e intraduzível mistério.

É como escreveu Drummond. ‘Só os mineiros sabem. E não dizem nem a si mesmo o irrevelável segredo chamado Minas’.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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