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O gênio do comida a quilo

O gênio do comida a quilo

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Por Paulo Solmucci

O gênio do comida a quilo

Foto: Abrasel – Brasil

Quando Fred Mata Machado concluiu, no final de 1984, em Belo Horizonte, a sua invenção mundial do sistema comida a quilo para os restaurantes, ele acabou oferecendo três avanços formidáveis na alimentação fora do lar, sobretudo para as pessoas que trabalham e estudam, e que não conseguiam almoçar em casa.

O primeiro avanço é que se libertaram os funcionários das empresas ou repartições, assim como os estudantes, situados nas faixas de médio ou baixo poder aquisitivo, de ter de encarar um prato feito em uma birosca qualquer, ou de devorar um sanduba no balcão de alguma padaria. O almoço dessas pessoas ficou com o jeito da refeição dominical caseira: arroz, feijão, carne moída, macarrão, quiabo, jiló, palmito, ovo cozido, quibe assado etc. Tudo de livre escolha.

O segundo avanço é que o comensal passou a pagar a comida por peso, na medida da sua fome ou no seu estilo de refeição, sem o risco de sobra. Se o sujeito quer pagar menos, mas deseja uma farta refeição, opta pelo que pesa menos. Em vez de inhame, põe no prato mais vagem, cenoura ou grão de bico. Quem gosta de folhas, se farta em quantidades homéricas, a um precinho bem camarada.

O terceiro avanço é que podem ser colocadas no prato todas as cores da natureza. Os nutricionistas e médicos nutrólogos são unânimes em afirmar que a diversidade de cores naturais no prato é a certeza de que aquela é a refeição mais saudável que há. Os tons e matizes da gastronomia estão associados a substâncias que fortalecem e protegem o organismo humano das doenças.

Veja aí o que diz o médico Dráuzio Varela: “O corpo necessita de todos os nutrientes disponíveis, macro e micronutrientes, para mobilizar energia e construir novos tecidos. Carboidratos, proteínas e gorduras são os macronutrientes. Os micronutrientes são as vitaminas e sais minerais. A dieta para ser equilibrada deve conter os macronutrientes necessários e, obrigatoriamente, os micronutrientes presentes nos vegetais”.

As cores do prato são o arco-íris da vida saudável, cada uma delas cumprindo determinadas funções. O vermelho do tomate ou do pimentão está relacionado ao licopeno, cujo consumo regular contribui para se reduzir o risco de câncer de próstata, de pulmões e de mama. O amarelo da laranja, cenoura, abóbora, manga está associado ao betacaroteno, favorável ao bom funcionamento da visão. Previne infecções. Dá força aos cabelos e às unhas.

As cores nos dizem dos atributos dos nutrientes. Por exemplo. O verde da abobrinha, do abacate, das folhagens: rico em ferro e fósforo; o roxo da ameixa, da beterraba, do figo e da uva: rico em ácido elágico, que contribui para retardar o envelhecimento; o branco da couve- flor, do arroz, do leite e dos cogumelos: rico em cálcio e potássio. O marrom das oleaginosas e cereais integrais ajuda na função intestinal e previne doenças crônicas, como Alzheimer.

O sistema comida a quilo é de fato um espetáculo. Fred Mata Machado resolveu, de maneira formidável, o almoço diário de quem está na rua. Solucionou várias questões da maior relevância em uma só tacada. Levou para perto do trabalho uma mesa tão farta quanto a dos almoços dominicais em família. Viabilizou financeiramente a refeição eclética a praticamente todas as classes sociais.

Por isso, a criação do Fred espalhou-se, como fogo na palha, de Belo Horizonte para o país inteiro. E mais: ele cobriu o território nacional de endereços da alimentação saudável. Enquanto os americanos se entopem de hambúrguer e batata frita, o brasileiro diariamente consome um prato com as cores que nascem das hortas e lavouras desta terra em que se plantando tudo dá.

Já escrevi isto na abertura deste artigo e, também, em textos anteriormente postados aqui no  Destrinchando: o restaurante comida a quilo só existe no Brasil. O mineiríssimo Fred é um líder da cozinha, é um “chef”, como se diz no jargão da gastronomia. Pra mim, ele vai muito além do grande ‘chef’ que é. Fred é um gênio, um gênio global.

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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