DestrinchandoHomemLucas Machado

O Galã – Jasse James

O Galã – Jasse James.

O Galã - Jasse James

 

“Bem, eu poderia parecer com Robert Ford / Mas eu me sinto exatamente como Jesse James” Trecho da música Outlaw blues, de Bob Dylan

Enquanto a maioria dos fãs da banda Legião Urbana esperam o filme Faroeste Caboclo, que passará nas telas ainda este ano, pegue sua arma, conte até 10 e preste atenção na última news que veio do Velho Oeste. A notícia que circula há tempos nos Estados Unidos é que o famoso bandido americano Jesse James pode não ter morrido aos 35 anos, como toda a imprensa americana informou.

Mas aí você pensa: quem é esse tal de Jesse James? Pode ter certeza que não é o ex da atriz Sandra Bullock, que a traiu com uma modelo e ganhou as páginas de fofoca. A não ser que haja algum cinéfilo nos lendo, que conheça de faroeste e tenha uns aninhos a mais, com certeza poucos aqui chegaram a conhecer essa lenda. Jesse James foi o “fora da lei” mais famoso e procurado dos Estados Unidos. Filho de um agricultor, comerciante de cânhamo e pastor, James cresceu no condado de Clay, no estado de Missouri, que foi devastado pela Guerra Civil, conflito que marcaria para sempre sua vida.

Ele não atuava em filmes e gibis, ao contrário, foram feitos vários filmes e gibis sobre sua história, inclusive enquanto ele era vivo. O diferencial é que ele era o famoso ladrão sabonete — sempre quando estavam prestes a pegá-lo, ele escapulia em grande estilo. Seu nome oficial era Jesse Woodson James. O bonitão, ao lado do seu irmão mais velho Frank, obteve a façanha de roubar o primeiro banco norte- americano.

Porém, sua expertise ultrapassava as instituições financeiras. Entre trens e diligências, com pouco mais de 20 anos de idade, ele era mais procurado do que Osama Bin Laden foi um dia em terras ianques. Delegados, vigilantes e xerifes passaram anos e anos tentando pegá-lo, vivo ou morto, principalmente pela recompensa, que era altíssima. James, que não foi preso nem bombardeado, sumiu de repente. O curioso é que quando se prende um foragido de efeito, de alta periculosidade, a primeira coisa que se faz é escancarar a cara dele em jornais e revistas. É só você imaginar um grande jornal estampando a seguinte frase: “Che Guevara aparece morto”. Sem foto, é praticamente impossível ter certeza se a notícia é verdadeira ou não.

Voltando a James, a história verdadeira — pelo menos uma das versões — é que ele foi morto, em 1882, aos 35 anos, com dois tiros covardes pelas costas, enquanto limpava um quadro em sua casa. O autor dos disparos seria Robert Ford, membro de uma antiga quadrilha, que, com certeza, queria abocanhar sozinho a bolada de algum roubo. Depois disso, James nunca mais foi esquecido. Não só pelas suas façanhas, mas pelos filmes que fizeram e fazem parte do folclore do Oeste americano. Quem gosta do gênero deve conhecer alguns deles, como: Jesse James – Lenda de uma era sem lei, de 1939, com Tyrone Power no papel de James; e Quem foi Jesse James?, de 1957, com Robert Wagner. O primeiro, por sinal, teve uma continuação em 1941, em A volta de Frank James, com Henry Fonda tentando capturar os assassinos do seu irmão. Brad Pitt também deu vida ao “fora da lei” no cinema em O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, de 2007.

Depois dos 10 passos, coloque sua arma no chão e leia uma segunda versão da história: de fato, James sofreu o atentado, mas não morreu. Fingiu-se de morto, mas, como de costume, na calada da noite, deu o perdido e mudou-se para uma cidade chamada Gransbury, no Texas. Tratou de trocar de nome para J. Frank Dalton — com o qual viria a morrer apenas em 1951, com 104 anos. O juiz da cidade autorizou a exumação do cadáver de Dalton para a análise de DNA, para confrontá-lo com o advogado, parente de Jesse. Se for verdade, estaremos diante de um fato histórico, em terras americanas, e poderemos até começar a acreditar que James Dean e Elvis Presley não morreram.

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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