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O Cubano Mais Famoso do Mundo

O cubano mais famoso do Mundo.

cubano

Por Lucas Machado

Ilustração: Bozó

“Dinheiro é bom para comprar uísque, charuto e pagar o aluguel”.

Tom Jobim

Vocês devem estar pensando: “Nossa! Mais um texto sobre Fidel Castro”. Sem tirar a importância dele para muitos, é um ditador. Resolvi discorrer algumas linhas, não sobre Fidel Castro,nem sobre supostas ajudas a portos Cubanos feitos pelo Governo brasileiro, mas sobre o produto mais conhecido e reverenciado da ilha cubana: o charuto, que ganha, a cada dia, mais e mais adeptos e apreciadores, apesar de estarmos vivendo o ápice do antitabagismo.

O charuto é uma das mais antigas formas de apreciação do tabaco. Segundo historiadores, a palavra deriva de cherrot, advinda da era vitoriana, vista historicamente como uma das épocas mais marcantes da moda durante o reinado da Rainha Vitória em meados do século 19.

Para o verdadeiro amante de charutos, degustar o sabor e aroma de um “bom puro”, denominação dos povos de língua espanhola para charuto feito a mão, é completamente diferente de fumar um Habano, como é chamado qualquer charuto produzido em Cuba.

Conhecer a província cubana de San Luís – cidade natal de Alejandro Probaiana, Abuelito, que faleceu em abril de 2013 – é um verdadeiro passeio pela história dessa sempre ensolarada nação do Caribe.

O Abuelito, que ficou conhecido além das fronteiras do país de Fidel por produzir as melhores folhas para a produção tabaqueira, recebia na varanda da sua casa os fãs que o procuravam para entender e apreciar a arte de saborear um legítimo puro cubano.

Sem fazer distinção alguma, Dom Alejandro tratava Sting, Steven Spielberg, Jack Nicholson, Gerard Depardieu, entre outros, com a mesma humildade que o fazia rodar o mundo, voltar para Cuba e não abandonar suas raízes, as tradições e toda beleza natural desse país tão peculiar.

A folha de tabaco existe em Cuba, pelo menos, desde que Cristóvão Colombo chegou a ilha banhada pelo Oceano Atlântico Norte. Deparou-se com navios que enrolavam folhas de palmeira com folhas de tabaco em seu interior e as queimavam em cerimônias de rituais religiosos. Ao voltar para o continente europeu, o navegador e sua tripulação foram os principais responsáveis por difundir essa cultura na Europa, que depois chegaria aos Estados Unidos. De acordo com estudos recentes, estima-se que a folha de tabaco se encontra na região há quase dois mil anos.

Cuba começou a excelência no plantio do tabaco e na produção de charutos com a autorização do rei espanhol Ferdinando VII, no século 19. No ano de 1840 a ilha já era reconhecida internacionalmente como a maior produtora do mundo. Surgiram, então, as principais marcas, Montecristo e Cohiba que estão no mercado até os dias de hoje.

Para os verdadeiros apreciadores de um “double corona”, uma das diferenças de charuto cubano para os demais produzidos em outras partes do planeta é o clima que predomina em toda a extensão da ilha, com qualidades incomparáveis de temperatura, de ar e solo.

Entre os puros mais importantes, apesar de cada apreciador ter seu predileto, temos Bolivar, Partagas, Hoyo de Monterrey, Romeo Y Julieta, Rafael Gonzalez, Punch, Ramon Allones, Sancho Panza, Trinidad, Vegas Robaina e San Cristobal.

Para os amantes do seu forte e inconfundível aroma, iniciantes ou não, a qualidade e a diferença de um bom charuto cubano se baseia em seu tamanho, os tipos de folha e a grossura. Mas o grande charme está na maneira única de fumá-lo e de como as folhas de tabaco são queimadas. Portanto, assim como só se aprende de um bom vinho bebendo-o, só se conhece mais das peculiaridades de um bom puro, fumando-o.

Puros são paixão a primeira vista e precisam ser armazenados da melhor maneira possível. Caixas de couro com temperatura entre 18ºC e 20ºC e umidade do ar entre 70% e 75% são ideais.

O ouro cubano deve ser apreciado com uma delicadeza ímpar que nos remete à simplicidade de sua história, suas lendas e seus mitos que, até hoje, rondam o ideal de Che Guevara e Fidel Castro. Parafraseando o folclorista brasileiro Câmara Cascudo, “um bom charuto é um prazer cotidiano, mágica fumaça consoladora”. E não se esqueça. O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial a saúde.

Guerreiro Do Asfalto

 

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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