DestaquesDestrinchando

Nem sempre quem volta encontra o que deixou

Nem sempre quem volta encontra o que deixou

 

Destrinchando

Nem sempre quem volta encontra o que deixou.

Não temos o dever de esperar pelo outro, enquanto ele fica lá longe realizando seus sonhos, sem nós, por tempo indeterminado, que então passivamente assistimos, como meros espectadores, do outro lado da telinha, às conquistas que poderíamos – e deveríamos – estar desfrutando juntos, desde que combinado. Claro.

Nossa vida é feita de escolhas, nem sempre doces, nem sempre amargas. lembrando que não devemos criar expectativas, NUNCA.

Muitas vezes, nossa escolha implicará termos que deixar para trás algo que já é certo, que faz parte de nossa jornada, para que possamos caminhar em outras e novas direções. Reativarmos sonhos ocultos. Essa tomada de decisão nunca será fácil e, quando envolver o desapego, o abrir mão, aí tudo se tornará pior, pois o que decidirmos poderá mudar as coisas, sem que possa haver volta.

Ninguém está livre repentinamente, ver-se diante de alguma proposta tentadora de emprego, de estudo, de ser convidado para iniciar novos projetos em algum lugar bem distante, em outra cidade, em outro país.

Da mesma forma, ninguém está livre de se sentir entediado e insatisfeito com a vida que leva, ambicionando uma outra vida totalmente oposta ao que tinha até então. Seja por conta de propostas ou de sonhos pessoais, o certo é que a vontade de mudar pode surgir a qualquer instante.

Nesses momentos, muitos de nós estaremos diante de um grande dilema, uma vez que nas oportunidades talvez não possam caber mais ninguém além de nós mesmos, ou seja, teremos que optar por aceitar ou não uma nova jornada, mas deixando para trás um parceiro, um lar, amigos, toda uma vida anterior. Ou melhor, um nascer de novo.

É como se fôssemos começar do zero, embora nossas vidas já estivessem preenchidas, inclusive nossos corações. Assim, aceitar o novo significará a princípio o implicar em uma vida solitária, somente com nós mesmos, sem mais ninguém.

A questão é que não temos o dever de esperar pelo outro? Enquanto ele fica lá longe realizando seus sonhos, sem nós, por tempo indeterminado, que então passivamente assistimos, como meros espectadores, do outro lado da telinha, às conquistas que poderíamos – e deveríamos – estar desfrutando juntos. Pois eu tenho uma coisa para te falar ou você constroe um sonho junto ou faz o seu mano, mesmo construído junto, e para com essa papeta de psiquiatria e blá, blá, blá. O melhor psiquiatra do mundo é a vida. Vai viver.

A distância física demorada acaba por provocar o afastamento emocional, o arrefecimento da carga afetiva, porque simplesmente a gente se acostuma tanto com a presença quanto com a ausência. Isso é sobrevivência.

Mas.. O fato é que “Nem sempre quem volta encontra o que deixou”.

Como se vê, quanto mais vivermos, mais escolhas teremos pela frente, mais renúncias, ganhos e perdas acumularemos, pois é assim que a vida segue, chacoalhando, incitando, promovendo o novo, mas quase nunca de uma forma tranquila. Optar sempre será doloroso, simplesmente porque, ao escolher algo, alguma coisa será será deixada de lado, ou melhor, para trás. É preciso que tenhamos clareza quanto à importância real de tudo e de todos, que fazem parte de nosso caminhar, para que não deixemos para trás justamente aquilo que nos alimenta o espírito a alma e o corpo.

Como dizem, a fila anda, e anda tanto para quem vai lá na frente, quanto para quem está, parado, pois você esta parado mais o mundo gira. Podemos ir, sim. “Mas certamente não encontraremos no lugar o que ficou para trás”. Que bom, um segundo atrás já é passado.

Hasta e avante !

.

Leia mais:

O conquistador. Napoleão Bonaparte

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

Anterior

Verdadeiros amigos

Próximo

ÉMILE DURKHEIM: A ANOMIA E O CRIME