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Negritude em cena. Debate sobre temática afro-brasileira

Negritude em cena. Debate sobre temática afro-brasileira

O Cine Humberto Mauro apresentou o longa-metragem Pembele Manzo: Território Ancestral. Dirigido pela Cineasta Januaceli Murta, o filme aborda o tema da intolerância religiosa, documentando a diversa expressão cultural do Quilombo Urbano Manzo N’gunzo Kaiango, reconhecido como patrimônio cultural imaterial da cidade de Belo Horizonte. Entre as sessões, foram realizadas atividades no Jardim Interno do Palácio das Artes: Roda de Conversa com membros do Quilombo Manzo acerca da produção do documentário e do tema central da obra; Roda de Capoeira; Samba de Roda.

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Com o objetivo de promover reflexões e proporcionar um espaço de visibilidade a respeito da experiência e produção de artistas negros, a Fundação Clóvis Salgado realiza, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, a ação afirmativa Negritude em Cena, um ciclo de formação gratuito com cursos, oficinas, rodas de conversa e apresentações artísticas sobre a temática africana e afro-brasileira durante os meses de outubro e novembro. Esse evento tem correalização da Appa – Arte e Cultura.

 

Segundo Lucas Amorim, gerente de ensino do Cefart, a iniciativa partiu de uma demanda dos próprios alunos para que as ações já desenvolvidas dentro da grade curricular chegassem, também, ao público externo. “Buscamos trazer a população para o debate a respeito do artista negro, sua inserção no mercado de trabalho e o preconceito no mundo das artes, ainda presente no século XXI”, explica o gerente, lembrando que os processos de criação que envolvem a cultura africana e afro-brasileira também integram a programação.

 

Ainda segundo Lucas, esse é um momento muito importante para o Cefart, já que nos estudos da arte o currículo ainda é muito pautado na tradição clássica europeia. “As Ações Afirmativas buscam justamente desconstruir, dentro do possível, as relações históricas de opressão das culturas africanas e afro-brasileiras pela cultura dominante”, avalia Lucas. “Enquanto centro de formação contemporânea devemos abarcar toda a multiplicidade da nossa cultura brasileira, então é fundamental abrirmos esse espaço de visibilidade”.

 

A programação foi construída para atrelar a formação artística ao ciclo de debates, de maneira que os cursos sejam seguidos pelas rodas de conversa no Café do Palácio das Artes. Nos encontros, serão abordadas questões como a rentabilidade de produções artísticas de afrodescendentes, narrativas do povo negro e produção artística, desafios do teatro negro brasileiro e performances e o combate ao racismo. A mediação será realizada por professores do Cefart.

 

Os convidados para as rodas de conversa são Rogério Coelho, poeta e articulador do Coletivoz Sarau de Periferia e Slammaster do Slam Clube da LutaMestre Faria, mestre em trabalhar a cultura da infância e professor da Escola Livre de Artes – ELA, do projeto Arena da CulturaFlavia Soares, bailarina, intérprete, pesquisadora e professora em patrimônio cultural e designer popular; Mestre João Angoleiro, mestre de capoeira angola e fundador do grupo de capoeira Eu Sou Angoleiro e a Companhia Primitiva de Arte Negra, integrantes da ACESA – Associação Cultural Eu Sou AngoleiroLeda Maria Martins, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, poeta, ensaísta, acadêmica e dramaturga brasileira e Marcos Antônio Alexandre, professor associado da UFMG e pesquisador do teatro negro.

 

As inscrições para os cursos complementares gratuitos Contos e Encontros, com os educadores e contadores de histórias Anair Patrícia e Anderson Ferreira, e Danças Afrobrasileiras, ministrado pela diretora, coreógrafa e criadora do Prêmio Zumbi de Cultura Júnia Bertolino, podem ser realizadas por meio do Sympla (link disponível no serviço), e os resultados das atividades serão apresentados na festa de encerramento do dia 23.

 

Para promover reflexões sobre as mudanças necessárias na construção de uma política educacional inclusiva que promova a equidade social, Iara Pires VianaKarla Cristina Cerqueira e Rogéria Cristina Alves realizarão a aula-show Diálogos Necessários: Educação das Relações Étnico-Raciais no dia 21 de novembro. Serão abordados temas como os estereótipos sobre a população negra, as raízes históricas do racismo e as formas de se descolonizar práticas educativas. Encerrando a programação, diversas apresentações artísticas ocuparão os Jardins Internos do Palácio das Artes, em uma grande festa de valorização do pluralismo cultural do Brasil, com enfoque na contribuição do povo negro.

Ações afirmativas: Negritude em Cena – Cefart

 

Rodas de Conversa

Data: 19 e 26/10; 9 e 16/11

Horário: 19h às 20h30

Local: Café do Palácio das Artes

Palácio das Artes

Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537 – Centro

Entrada Gratuita

Informações para o público: (31) 3236-7400 | www.fcs.mg.gov.br

 

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Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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