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Narcisista, patológico, mentiroso e compulsivo

Narcisista, patológico, mentiroso e compulsivo

Narcisista, patológico, mentiroso e compulsivo

Por Renata Lommez

Mentiras sinceras me interessam. O lado B do narcisismo.

A frase é de um poeta, mas pode ser dita por um narcisista patológico.

Para os gregos, Narciso significa vaidade e insensibilidade.

Pessoas com transtorno de personalidade narcisista são mentirosas compulsivas e mentem em qualquer tipo de relação. Elas mentem para manter o seu mundo intocável, não querem correr riscos. Manipulam situações de acordo com seus próprios interesses, mesmo que em jogo estejam também as expectativas de outras pessoas. Enganam com a desculpa de não magoar, mas não porque são sensíveis ao sentimento alheio. Traem a confiança nelas depositada com a desculpa de poupar o outro, sem medir as consequências de suas mentiras e não dando a esse outro o direito de escolha através da verdade.

O narcisista patológico engana para não perder sua importância, para não deixar de ser o centro das atenções. Ele espera tratamento diferenciado porque acredita que merece ser notado mais do que ninguém. Quer ser amado a qualquer custo e pelo maior número de pessoas e sempre arruma um jeito de ser elogiado. Quando precisa passa a ser superficialmente preocupado, dedicado e atencioso. Logo volta a enxergar apenas o seu próprio umbigo, assim como Narciso que no mito enxergava apenas a sua própria imagem.

Ele alega direito a individualidade para justificar sua falta de compromisso e deslealdade com sentimentos que não sejam os seus. Apesar de egoísta é carismático e por isso inverte facilmente os papéis em uma relação, mudando em um piscar de olhos sua posição de vilão para vítima. Tem também como característica ser explorador, e se aproxima encantadoramente sempre que SUA necessidade falar mais alto. Quando isso acontece o narcisista dramatiza e supervaloriza sua queixa, tentando evitar com esse tipo de atitude o seu maior pesadelo, receber um não e se sentir rejeitado.

O sujeito com transtorno narcisista não amadurece, não aprende com os próprios erros, nem tampouco os reconhece porque se julga sempre correto. Demonstra insatisfação através de um comportamento arrogante. Prepotente, sempre culpa alguém pelos problemas que cria. É tão pretensioso que em sua fantasia megalomaníaca é stalkeado freneticamente em suas redes sociais, principalmente por ex parceiros. Ele acredita piamente ser alvo de inveja e mal olhado porque se julga realmente especial. Vaidade, e ilusão.

Para quem procura um Parceiro não conte com ele. Suas relações são de mão única e ele visa, mesmo que disfarçadamente, apenas o próprio bem estar. Esse tipo de personalidade se caracteriza pela ausência da empatia, a ausência da capacidade de se colocar no lugar de qualquer outra pessoa. O mundo pode estar desabando na vida de quem está ao seu lado e na maioria das vezes ele vai alegar falta de memória. Não é falta de memória, é falta de interesse.

Com sua pouca capacidade para perceber o outro, chega a usá-lo como objeto para conseguir o que deseja. Leva a vida emocional superficialmente, desmerecendo e desvalorizando sentimentos e fatos quando não há para si benefício algum. Por causa disso há uma forte dificuldade em formar uma verdadeira relação, inclusive terapêutica.

Pessoas com essa personalidade são controladoras e não suportam perder, nada. Acreditam terem consigo toda verdade, e por isso mesmo escolhem de acordo com a sua conveniência aqueles que merecem conhecê-la. Elas mentem com justificativa porque a mentira aprisiona. Mentem porque a verdade liberta.

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Renata Lommez

Renata Lommez

Renata Lommez é Psicóloga/Psicanalista clínica desde 1994 quando também iniciou sua formação em Psicanálise, passando pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, Escola de Saúde Mental e Escola Brasileira de Psicanálise. Foi colunista titular de Psicologia na Editora Abril entre 2006 e 2011.

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