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Museu de Arte da Pampulha

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Obra gigante impressiona quem passa pelo Museu da Pampulha

Trabalho de Tatiana Blass, artista representada pela Celma Albuquerque Galeria, dialoga com a arquitetura do museu, projetado por Niemeyer

O Museu de Arte da Pampulha recebe  “Mais dia, menos noite”, instalação da artista Tatiana Blass até o dia 01 de setembro. Na porta de entrada, um longo tapete vermelho recebe o visitante e se estende até um tear manual onde sua urdidura está presa. Do outro lado do tear, o tapete se desfaz pelo espaço e avança para o jardim da Pampulha, projetado por Roberto Burle Marx. A simbologia do tapete vermelho está intimamente ligada ao poder e ao luxo, ao glamour das noites de cassino.

Seguimos o tapete até o tear, e vemos sua construção dissecada; há um movimento dúbio, não sabemos se a peça se desmancha ou se ela está sendo construída. Parado, o tear acaba por desvendar o construir dessa forma, um ato que normalmente não se faz visível. Tatiana nos dá alguns elementos para insinuar uma existência, um movimento, e cabe a nós imaginarmos o restante.

Se outros trabalhos da artista sugerem um parêntese entre as coisas a fim de explicitar uma ação, ou uma presença através da ausência, aqui o tear se configura como o que está entre parênteses, dando materialidade a um elemento oculto.

Em uma primeira montagem da instalação, realizada em 2011 na Capela do Morumbi em São Paulo, a obra foi nomeada de “Penélope”. É do mito grego registrado na Odisséia de Homero que Tatiana Blass emprestava o nome para aquela versão da obra. Segundo o mito, após casarem, Odisseu deixa Penélope e parte para a guerra de Tróia. Muitos anos depois, sem notícias, Penélope passa a ser assediada por novos pretendentes, e assume o compromisso de escolher um novo marido quando terminasse de tecer uma mortalha para o pai de Odisseu. Durante o dia, aos olhos de todos, tecia; durante a noite, solitária, desmanchava na tentativa de enganar o tempo e iludir seus pretendentes, aguardando a volta de seu amado.

Transferida da pequena Capela, onde foi concebida, para se instalar no grandioso espaço do Museu de Arte da Pampulha, o trabalho ganha nova configuração, novo contexto e novas simbologias, e por isso um novo nome. Sempre em transformação, e sempre no meio do caminho, entre a forma e a não forma, a referência ao mito continua presente, e a idéia de suspensão do tempo, de espera, também se presentifica na Pampulha. É isso que vemos em “Mais dia, menos noite.”

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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