DestaquesDestrinchandoSem categoria

Mulheres tatuadoras BH

Mulheres tatuadoras BH

Destrinchando

Joy Vieira Por Rachel Capucio

O número de mulheres tatuadoras vem crescendo cada vez mais no país. Atualmente, cerca de 45% dos profissionais brasileiros são do sexo feminino, mostrando que a arte das tatuagens pode contar, também, com muita habilidade e dedicação feminina.

Vamos mostrar nesta entrevista, a trajetória da tatuadora mineira, Joy Vieira, de 23 anos, que conta um pouco da sua história, com argumentos que envolve trabalho, preconceito, treinamento e muita inspiração.

Entenda de uma vez por todas, que é possível conquistar sucesso profissional sendo mulher no ramo da tatuagem.

1. Quando você percebeu que queria entrar no ramo de tatuagens, que até então era dominado só por homens?

Tudo começou quando fiz uma tatuagem na minha mão com o Dermógrafo (risos). Uma colega viu e ficou encantada! Elogiou muito e pediu que eu fizesse nela. Na hora topei! Daí em diante, ela foi me indicando para outras pessoas. Quando vi que poderia ser algo sério, pedi ao meu irmão que também é tatuador, dicas, indicações e ensinamentos.

Enfim, ele acabou me dando aulas sobre tatuagem. Além de tatuadora, sou micropigmentadora, e muito do que aprendi na micro, ajudou para que eu tivesse mais facilidade na tatuagem. A mão leve e suave para fazer fios de sobrancelhas realistas, é a mesma que uso para eternizar desenhos nas pessoas. Hoje, além de ser especialista em micropigmentação, sou também em Fine Line e tatuagens delicadas.

2. Você já sofreu assédio no trabalho?

Não sei se pode ser considerado como assédio no trabalho. O caso aconteceu no meu antigo Studio. Atendi um cliente (homem) que ia fazer sobrancelhas comigo. Ele achou minhas redes sociais pessoais e quando saia do meu atendimento entrava curtia e comentava tudo. A sensação era que ele estava vasculhando minha vida. Fez isso as três vezes que foi ao meu Studio. Não tinha costume de atender homens e ficava com muito medo. Optei por não atendê-lo mais.

3. Vejo que você tem muitas tatuagens. É você mesmo que se tatua ou você prefere que outra pessoa faça isso?

Tenho 7 tatuagens que eu mesma fiz. Quando comecei a tatuar fiquei tão animada que decidi fazer em mim mesma. Mas prefiro que outra pessoa me tatue. Fazer em si próprio parece que dói mais.

4. Você consegue descrever uma tatuagem, um trabalho que fez e mais te marcou?

O amigo de uma amiga me procurou querendo fazer uma homenagem para a mãe. Marquei com ele as sessões. Na semana do primeiro contato, eu não tinha horário disponível para o procedimento. Ele muito insistente me contou que a mãe estava com câncer em fase terminal, com um quadro que poderia vir a óbito a qualquer momento. E queria muito fazer a tatuagem para mostrá-la antes de sua partida. Fui pra casa sensibilizada com a situação, imaginando como eu ficaria se ela fosse embora antes de ver a homenagem do filho. No outro dia disse para ele ir a clínica onde trabalho para que fosse feita a tatuagem. O mesmo compareceu e ficou muito agradecido e realizado de poder mostrar a sua homenagem a mãe.

5. Qual o diferencial e a importância da mulher no universo da tatuagem?

Eu vou sempre levantar nossa bandeira. Graças a nós mesmas, temos chegado a lugares inimagináveis!!! Eu sempre que vejo uma mulher em um trabalho, antes dito apenas para homens, fico encantada e faço questão de elogiar. Meu maior público são mulheres e muitas delas mães. Elas me procuram relatando ter me escolhido por receio de fazer com homem, pela humanização do meu atendimento que nada mais é que a atenção, sensibilidade e respeito que tenho por elas. Acredito que nossa sensibilidade e empatia para com a outra se torna o grande diferencial. Acabamos de ver um caso em que um suposto tatuador assediava suas clientes durante o procedimento. A presença da mulher nessa área nos dá mais tranquilidade e conforto, uma vez que infelizmente ainda somos alvos de violências pelo patriarcado. Temos que ser mulheres que levantam e encorajam outras mulheres!

6. Quais conselhos você daria para aquelas pessoas que querem se tornar tatuadores?

Dedicação, treino e persistência! Essas são as palavras chaves. Uns nascem com o dom, outros podem adquirir. Sem o treino perdemos a prática, nosso cérebro precisa captar aquilo e só consegue se for repetido inúmeras vezes. Se inspire em pessoas que você goste, tire um tempo para se dedicar, faça com amor que tudo dará certo! Pode acreditar!

Leia mais:

Pin up’s

Rachel Capucio

Rachel Capucio

Rachel Capucio de Paula e Silva é advogada, graduada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte(UNI-BH), pós-graduada em Direito do Estado (Universidade Anhanguera/Uniderp) e em Ciências Criminais ( Faculdade de Direito Padre Arnaldo Janssen).

Anterior

Cultura: O café com piernas

Próximo

Óculos escuros femininos