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Lucas Machado entrevista – Guilhermina Abreu empreendedora social

Lucas Machado entrevista – Guilhermina Abreu empreendedora social

Foto; Divulgação

Destrinchando

Guilhermina Abreu Empreendedora social


Guilhermina Abreu é cofundadora da ONG Embaixadores da Educação e o Crie o Impossível, evento realizado por parceiros e iniciativa privada e que tem como objetivo alcançar alunos das escolas públicas. As datas em 2019 serão: 25 de outubro em Belo Horizonte e 19 de novembro em São Paulo.
 O Embaixadores foi criado, por estudantes de da rede pública mineira. Insatisfeitos com a situação das escolas entre várias anomalias resolveram se juntar para discutir como poderiam mudar essa realidade. O que era um
coletivo de ideias se tornou um projeto de desenvolvimento não governamental.

Lucas Machado. Quem é um embaixador e o que ele faz?

O embaixador é alguém responsável por levar uma mensagem de protagonismo e empreendedorismo. Não temos nenhum envolvimento político, religioso ou partidário, zero. Queremos apenas fomentar nos alunos de escolas
públicas o que nós não tivemos enquanto estudantes. Só que o projeto foi crescendo e a metodologia foi ficando conhecida. Começamos a discutir, e pensar: se a gente for esperar o governo melhorar a realidade das escolas
públicas vai demorar anos e nem sabemos se isso vai acontecer.
 A gente acredita que o protagonismo tem que vir dos próprios alunos da rede pública, para melhorar as escolas eles devem ser os protagonistas das suas próprias histórias.

Aprendemos a gerir e fazer planos de negócios, marketing, e tudo isso foi muito importante, mas o principal que nós aprendemos e que foi o divisor de águas:
 você tem que ser o protagonista da sua história, você tem que ser o autor do seu destino, você tem que tomar as rédeas, você não tem que esperar que o estado, o governo, seus pais, ou que a diretora da escola faça.
 Então a gente queria criar um projeto para levar sementes de protagonismo para alunos de escola pública, só que nós falamos mal de escola a vida inteira, a aula era chata, lição de moral era chata. Então pensamos em tudo que não
gostamos na educação formal, porque nosso incomodo não era só com a educação pública, que hoje no Brasil não tem muita qualidade. Foi onde estudamos, mas com a educação formal também. O problema está na pública, e na particular, um tanto de gente enfileirado e só, ouvindo o professor falando,
falando.

Lucas Machado. Quantas pessoas fazem parte desse núcleo hoje?

O Embaixadores foi fundado por 11 pessoas, ficaram cinco, que é o Conselho fundador, todo nós estudamos a vida inteira em escolas públicas, além disso, temos um número de voluntários. Todo ano a gente forma cerca de 20 a 30
pessoas para atuar nas escolas e ai no Crie o Impossível são mais de 200.
 Eu preciso ressaltar que, todos nós, e os voluntários necessariamente têm entre 18 e 24 e sempre estudaram na rede pública de ensino. Por que a gente faz esse recorte? Porque é uma coisa muito forte da nossa metodologia, a
identidade do multiplicador com o aluno. Então quando, antes éramos nós que desenvolvíamos os projetos nas escolas, era comum ouvir do aluno que a escola é muito difícil. A nossa resposta sempre foi: beleza, eu vim de escola e pública e ai?
 Os voluntários têm isso com os alunos, todos eles estudaram em instituições públicas. Então ele pode falar: beleza, mas sem mimimi, vão bora fazer, não interessa onde você estuda, de onde você veio.

Lucas Machado. Fala um pouco sobre o Crie o Impossível.

Crie o Impossível, o nosso trabalho começou a se destacar nas escolas públicas, porque o povo começou a achar muito inovador, muito diferente e tals. Isso porque a gente criou de uma forma muito intuitiva, a gente não pesquisou, nem sabíamos o que era uma metodologia, uma pedagogia.
Pensamos em tirar o que não legal e colocar outras coisas interessantes. Nós criamos assim, de coração, porque a gente tava fulo. Fomos executando o Embaixadores e o trabalho foi ficando conhecido, no final de 2017, o Zé Felipe
apareceu e tudo mudou.
 O Crie o Impossível, é um evento de alto impacto inspiracional, é como se fosse o TED para alunos de escolas públicas, são contadas várias histórias diferentes, de pessoas muito inspiradoras, pra despertar o estudante de ensino médio pra sonhar grande.

Recebemos no Crie o Impossível do ano passado (2018) o Vinhal, o primeiro negro do mundo e o primeiro brasileiro a ir pra Kona (Hawaii), que é uma coisa muito difícil, o tri atletismo é de elite. Teve o Zé Felipe, fundador da cervejaria
mais premiada do mundo, e também a dona Sônia, que é uma senhorinha, que começou com uma barraca no Mineirão e hoje é dona de 40 bares. Além deles
palestraram também o Fred, um cara do Morro das Pedras, e que iniciou o negócio dele com R$35,00, e o Geraldo Rufino que começou catando latinhas e é dono da JR Diesel e fatura R$ 60 milhões.
 Vários empreendedores inspiradores participaram e contaram suas histórias para quatro mil alunos, foi muito sobre despertar sonhos. Depois do Crie vários alunos falaram, e o cenário foi muito legal, muito emocionante, o Mineirão.

Os alunos começaram a falar que um dia de Crie o Impossível valeu mais do que 10 anos em sala de aula. Esse foi o maior evento em Minas Gerais para alunos de escolas públicas realizado no Mineirão.
Conseguimos amarrar com vários prêmios legais, então o Alex, um estudante que participou no ano passado, está indo agora para o Canadá com tudo pago para aprender inglês por uma empresa apoiadora. Vários alunos ganharam
bolsa integral para a faculdade, 300 alunos foram estudar na escola do SEBRAE, a mesma em que nós estudamos de graça.
 O Crie era muito sobre despertar sonhos, e deu certo, porque o Embaixadores puxou, realizou, captou, fez acontecer, mas se uma rede de empresários, de parceiros, puxados pelo Zé Felipe, não seria possível. Ele me disse: “nós vamos fazer isso acontecer, aconteça, o que acontecer”.

Criamos e executamos um evento muito legal, foi o mais legal de todos, com um impacto muito real, mas com a parceria de muita gente, e sem envolver governo, o maior evento de escola pública sem envolver governo.
 Posso dizer que o Crie o Impossível é sobre a sociedade civil abraçando a escola pública. Deu muito certo, repercutiu muito, o feedback dos alunos foi muito forte. Esse ano o Crie será realizado no Mineirão e na Arena Corinthians, em ambos os lugares vamos receber 10 mil alunos de escolas públicas, então vão ser 20 mil estudantes. Não são dois eventos diferentes, é o mesmo que acontece em dois dias e cidades diferentes.

Nós sabemos que essa será um dos maiores eventos sociais do País. E para nós do Embaixadores, que começamos numa praça fazendo vaquinha para pagar passagem de ônibus, porque não tinha recurso pra nada, realizar o Crie o Impossível, é também sobre criar o impossível. Quando a gente criou o Embaixadores, estávamos em uma realidade e o Zé Felipe, nos empurrou para sonhar grande e estamos conseguindo, vamos fazer um evento que vai ser
muito relevante no Brasil.

 

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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