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Lampião

Lampião

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Por Lucas Machado

Em uma pequena fazenda chamada Passagem das Pedras, em Vila Bela (atual Serra Talhada), a mais ou menos 415 quilômetros de Recife, nasceu Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, no dia sete de julho de 1897.

São muito raros os registros históricos de seus pais, mas indícios apontam para um passado em que ancestrais eram homens valentes que viveram para defender suas terras dos “Portuga”.

Talvez em seus genes haja uma mistura de índios, negros e europeus. Apesar de seu pai ser um sujeito tranquilo, Virgulino foi criado em um ambiente em que questões de honra, de família e de invasões de terras eram tratadas sempre de maneira violenta.

Sua família conseguia tirar de suas terras apenas o necessário para a sobrevivência. A infância foi igual a de todos os meninos de sua época no sertão, fazendo as mesmas brincadeiras e sofrendo as mesmas amarguras.

Porém, quando já um pouco mais velho, aconteceu uma briga entre famílias e mataram quase todos os seus parentes. Causar um ferimento de honra em um nordestino era um caminho sem volta. Virgulino nunca mais foi o mesmo depois desse episódio.

Passou a andar com um bando assombrando todos os lugares em que passava, com chapéus de abas largas, roupas de couro muito enfeitadas e punhais – vestimenta característica de cangaceiros. Os óculos eram por problemas de visão.

Conta-se que Virgulino adicionou uma pitada de criatividade e conhecimento adquirido, prendendo com um lenço o gatilho, fazendo as armas parecerem semiautomáticas. Em meio a um dos tiroteios, o cano de sua arma ficou tão quente que se iluminou, daí o nome Lampião – essa é uma das versões para seu apelido.

Em um famoso confronto, em Água Branca, no estado de Alagoas, Lampião e seu bando prenderam um policial no poste e bateram nele por vários dias – foi esse mesmo policial que matou seu pai. A partir daquele dia, ele tinha um único desejo: vingar a morte do pai. “De hoje em diante vou matar até morrer.”

O diferencial de Lampião e sua quadrilha era lidar bem com policiais e políticos corruptos, que forneciam armas e munições e facilitavam a entrada nas cidades.

O curioso era sua audácia: mandava um aviso ao prefeito dizendo querer certa quantia em dinheiro. Se o prefeito não desse, ele invadia e roubava toda a cidade.

Lampião havia se tornado sinônimo de terror no Nordeste. Inovou trazendo uma mulher para o cangaço. Essa moça era Maria Bonita. Ele sempre tratou muito bem as mulheres e as cidades que tinham mais de duas igrejas. A pergunta que fica é a seguinte: Lampião foi um herói ou um vilão?

Apesar de ter vindo, como a maioria dos brasileiros, de um ambiente de injustiça, jamais teve compromisso com as classes sociais próximas a pobreza.

O misticismo que cerca esse personagem é fruto da falta de grandes nomes que representem o Brasil. Mas teve seu valor na história apesar de ter vivido no mundo do crime. Confira outras matérias:

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Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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