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Jack Daniel’s

Jack Daniel’s

Jack Daniel’s

 

Por Lucas Machado

Minha história com o Jack  não começou com um porre daqueles que no dia seguinte você assume que largou a chave na porta, esqueceu se parou o carro na garagem, lembra que cantou a garçonete top da boate nos 45 do segundo tempo e que, ao acordar de braços abertos no meio da sala, em alusão ao Cristo Redentor, encontrou as luzes da casa acesas e a geladeira aberta.

Fui convidado por um amigo, que carrega o pitoresco apelido de “Jack Bala”, para um jantar em sua casa. Irmão, quando ele abriu a porta ao som de Sepultura, vi um verdadeiro arsenal de troféus, carrinhos de corrida e milhares de Harleys Davidson em miniatura.

Tudo bem para um piloto de corrida e amante de rock ‘n roll. Mas o que me deixou impressionado foi o que chamei de “complexo arquitetônico Jack Daniel’s”: tudo que você pode imaginar com a marca do velho Old n°7 tinha por lá.

Antes de entrar no assunto da bebida, ele disse: “Você sabia que Jack existiu?”. Eram tantas curiosidades, que, a princípio, não prestei muita atenção.

Ao chegar ao trabalho no dia seguinte, Bruno Mateus, meu parceiro e conselheiro de tantos e tantos textos, me perguntou: “Lucas, qual vai ser o próximo Destrinchando?”. Parei, pensei e disse: “Vamos falar um pouco da história de Jack”.

Primeiramente, é bom entender o porquê de tantas lendas, verdades e mentiras sobre a vida e a trajetória de Jasper Newton Daniel, carinhosamente apelidado de Mr. Jack.

Segundo a maioria das referências encontradas, a cidade onde ele nasceu, nos arredores de Lynchburg, no Tennessee, sofreu um terrível incêndio, o que dificultou muito a busca de qualquer trilha de papeis ou arquivos, livros-caixa, entre outros.

O censo dos EUA e fichas de impostos mostram que ele viveu de 1849 a 1911. Jack era o mais novo de 10 filhos. Sua madrasta não gostava muito do garoto, que perdeu o pai vítima de pneumonia.

Como na cidade era prática comum famílias adotarem órfãos, o menino camponês foi criado por um fazendeiro e pregador da Igreja Luterana, que se chamava Dan Call. O fazendeiro logo lhe ensinou o trabalho e a arte da destilaria.

Na sequência, Jack se tornou famoso pela generosidade e ousadia. Desde cedo não queria saber muito do pastoreio e das plantações e se dedicou ao aprendizado da destilaria, inclusive com os escravos. A prática já era famosa nas terras do Tennessee.

Dan Call se concentrava em vender os produtos no varejo, em sua loja, e Jack, seu protegido, já com 16 anos, mostrava os traços de empreendedorismo e só pensava em expandir os negócios. E foi o que fez.

Ao descobrir que poderia transportar uísque para outras cidades mais promissoras, mostrou ao velho Dan a ideia de que era mais lucrativo, gerava mais receita e o produto não perdia em qualidade.

Mesmo traindo a nação não podemos esquecer que eram tempos de Lei Seca nos Estados Unidos, Jack contrabandeava a bebida e ganhava fama e respeito.

Em suas viagens, encontrava todos os tipos de ameaças: guerrilhas contra soldados federais, assaltantes famintos, bandidos racistas que queriam fazer justiça com as próprias mãos, até o famoso grupo Ku Klux Klan.

Se ele era ou não um destilador clandestino, isso fica a cargo da história. Mas Mr. Jack, adepto ao chapéu de abas e ao bigode bem feito, inaugurou a primeira destilaria dos EUA em 1866.

Apesar do carisma, ele tinha um temperamento forte. Um belo dia, ao chegar à fábrica, tentou abrir o cofre. Como não conseguiu, deu um chute com toda força e quebrou o dedo, o que lhe gerou uma gangrena, que o levou a morte meses depois.

O grande diferencial é o processo conhecido como Charcoal Mellowing, em que o produto passa por uma camada de três metros de carvão vegetal, garantindo sua qualidade.

As lendas, como a do número sete, vão sempre existir. Uns falam que tinha sete mulheres, outros dizem sobre a cabalística do número, porém entre todos os amantes da bebida que tive a oportunidade de conversar, inclusive o grande ‘Jack Bala’ que me fez chegar até essa história, uma opinião é unânime: para se degustar um produto Jack Daniel’s, não coloque gelo, além do sabor se perde a graça.

Lucas Machado

Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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