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Harley Davidson Historia

Harley Davidson Historia

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Harley Davidson Historia

Por Lucas Machado

Ilustração: João Gabriel Jack

A história é simples, mas o barulho é alto. Tudo começou em 1901 no estado de Milwaukee. Dois geniozinhos, o designer William S. Harley e o mecânico Arthur Davidson. Juntos, tiveram a ideia de montar uma bicicleta a motor. Aquela velha malandragem, gastar menos força e tempo nas subidas e impressionar as garotinhas nas ruas, é claro. Depois de muito esforço, num barraco de fundo de quintal, surgiu então a primeira grande sacada de mestre. Juntaram-se a outros dois “Harley brothers”, William e Warter Davidson, mecânicos dos fodidos e primos de Arthur.

Com o carburador feito com uma lata de molho de tomate e o motor acoplado a uma bike, não demorou muito surgir a primeira pérola da marca, em 1903: a famosa Silent Gray Fellow. Depois disso, produziram três motos com a mesma cor cinzenta.

A primeira foi vendida para um doidim que andou 10 mil milhas. Ele vendeu pra outro, que percorreu 30 mil milhas. Ao final, juntando todos os malucos, passaram de 60 mil milhas, com as peças “originais de garagem”. Na empolgação, os proprietários construíram um barraco maior e pintaram uma placa na porta com os seguintes dizeres: Harley-Davidson Motor Co”.

Já nos anos 1940 e 1950, iniciou-se uma onda de discriminação entre   os “bikers” nos EUA. Tudo começou com a associação da imagem dos motoqueiros com a de baderneiros e beberrões, vistos no filme ‘O Selvagem’, com Marlon Brando, e a ligação com gangues de moto como os Hells Angels, tornando o que era sonho de consumo em pesadelo.

Prisões e perseguições eram constantes, os encontros de moto foram cancelados por todo o país. A recriminação era geral, tipo: “Filhinha, cuidado com os motoqueiros, eles   são tatuados e perigosos, não aceite o chiclete deles, pode pode ter veneno.” Irmão, eu fico aqui pensando! O que nós estamos vivendo hoje é reflexo desse tipo de preconceito. O que é consumido hoje como símbolo de liberdade e rebeldia? De drogas lícitas e ilícitas aos gadgets – Lexotan, cocaína, iPods, computadores, games.

Olha isso! No fim de 2008, o Detran do Rio lançou uma campanha com o título: “Animais no trânsito – não seja irracional”. A campanha mostrava porcos, elefantes e zebras pilotando motos. A resposta do órgão às zilhões de críticas recebidas foi que a propaganda era para as criancinhas. Meu, desde quando criança dirige?

Tem mais uma aqui. O mesmo governo do Rio e o de SP, agora, querem acabar com os caronas nas motocicletas. Se tiver algum legislador aí, me corrija. O Código de Trânsito Brasileiro define as motocicletas como veículos para transporte de duas pessoas e essa legislação é de competência da União. Se for por causa de assaltos, vai ter gente deixando de roubar com uma moto para roubar com duas, não é verdade?

Você que tem uma moto e está ralando para pagar o seu IPVA e afins, pense bastante nisso. Quem sabe gastamos esse dinheiro numa campanha com cuecas cheias de doletas, Marcos Valério, dirigentes do Detran entre outras “personas”, só que com uma diferença: montados em cima de nós, brasileiros, porque, assim como as motos, nós não reagimos, mesmo.

Mas a Harley sempre quebrou os obstáculos com muita estratégia. Vendeu motos a preços camaradas para o exército e a polícia dos EUA, ajudou a geração Baby Boomer a resgatar sua juventude e lançou campanhas icônicas com o astro Elvis Presley, construindo a associação perfeita entre as máquinas e o rock’n’roll. Assim, a marca americana chega aos 106 anos como uma coroa enxuta e cheia de disposição. É por essas e outras que tudo na vida é substituível, menos uma Harley Davidson. No mais, Yeah!!! Born to be wild.

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Lucas Machado

Escritor, profissional de Marketing e Comunicação.

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