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Fronteiras do Brasil

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Fronteiras do Brasil

Por Paulo Solmucci

A fronteira brasileira com a praça sete

Uma verdade incontestável: fazemos pouco caso do nosso próprio país. A gente não dá bola para controlar, minimamente, quem entra e quem sai, o que entra e o que sai.

As nossas fronteiras terrestres sempre estiveram quase que totalmente abandonadas, com a mínima vigilância. Entram bebidas, cigarros, brinquedos, perfumes, CDs, remédios, roupas, tênis, óculos, pilhas e o escambau. Isso sem falar em drogas e armas.

Tente pesquisar na internet qual é, de fato, a extensão das nossas fronteiras terrestres. Aparece tudo quanto é tipo de número. Eu vou ficar com um, aqui, que foi citado pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra. Diz ele: “O Brasil tem 16,8 mil quilômetros de fronteiras, o equivalente a cinco vezes a área limite entre os Estados Unidos e o México”.

Somente dois (de um total de dez) países da América do Sul não fazem fronteira com o Brasil: Chile e Equador. Dez por cento dos 5.570 municípios brasileiros estão na faixa de fronteira – ou seja, 588 deles. Há 28 cidades “gêmeas”, isto é, emendadas com outra cidade do país vizinho.

Quando a gente pensa na desproteção do Brasil, imaginamos logo a região amazônica. É como certa vez disse o geólogo Antônio Feijão, ex-diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral: “O Estado sempre foi um turista na Amazônia”. O que se fez por lá foi instalar “pelotõezinhos de fronteira”, com alguns soldados que servem mais para

“hastear o pavilhão nacional” do que “defender geopoliticamente a nação”. Ora, mas nem vamos falar da Amazônia. Olhemos aqui para o Sul e o Sudeste, que são o topo do topo, as duas regiões mais habitadas e desenvolvidas do país.

Só do Paraguai entram pelas fronteiras paranaenses e sul-mato-grossenses 25% dos cigarros consumidos no Brasil. A Receita Federal estima que, com o contrabando paraguaio de cigarros e outras mercadorias, nosso país perde R$ 20 bilhões de impostos por ano.

A gente não está nem aí. E, ainda fica querendo inventar mais impostos, disfarçados com o nome de contribuição, como o imposto que atende pelo apelido de CPMF. Na semana que vem, vou falar de um menino de uns oito anos de idade fumando cigarro paraguaio no ponto mais central de Belo Horizonte, a Praça 7. A marca do cigarro: Eight.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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