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Por Débora Blanda

Sobre as francesas

E eu não estou me referindo as Maries e Madelines mas as palavras de origem francesa. Mais do queabajur ou bidê algumas francesinhas tem minha atenção. Antiquado é uma delas, vêm do latim, mas os franceses também usam. Antiquado lembra algo que é velho; não é vintage (do francês antigo pro inglês, palavrinha que está em alta), não é antigo, não é nem eufemismo, é antiquado. Antiquado lembra inapropriado, inadequado, errado. Errado e velho. Mas eu gosto de antiquado. Não sei bem porquê. Talvez como uma forma de piedade inconsciente: eu assumi que ninguém gosta de antiquado então eu decidi gostar. Ou talvez seja porque eu sou tradicional. Tradicional não está na moda, tradicional é antiquado. Há quem diga que cristão é antiquado e gente que considera esse pensamento antiquado, e ainda gente que espera um déjà-vu desse cristão a moda antiga.

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Francesinha muito querida é a já citada déjà-vu. Coisa estranhíssima é o tal do déjà-vu, sensação de já ter visto ou vivido uma cena, um momento, uma situação. E não é como quando fazemos as mesmas escolhas e nos vemos presos em um looping, é mais aquela sensação de sonho. É um momentinho que nos faz acreditar que somos mais do que matéria, mais do que um aglomerado de células, que nós temos sensações, que nossa percepção vai além desse tempo.

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Antiquado é também démodé. E démodé é outra palavrinha, soa pretenciosa, palavra de gente que está sempre na moda, sempre por dentro, gente que fala que “off white é o novo branco”, gente que, ao contrário de mim, sabe do que tá falando.

Ma cherie é nome de música fofa, nome do perfume da infância, é jeito carinhoso de ser chamado, é francês pra minha querida, ma cherie é sinestésico tom pastel (do lápis de cor italiano e não do bolo francês).

43Me despeço nesse texto cheio de palavras internacionais com o francês au revoir.

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