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Fim da era

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Por Paulo Solmucci

O FIM DA ERA DO PULO DO GATO. Parte 2

O Brasil está se tornando cada vez mais alicerce e cada vez menos cúpula. A menor distância entre dois pontos deixou de ser a linha reta.

O cartesianismo foi destronado por uma nova sociedade, que é flex e self-service, com extensas gamas opcionais e com uma incessante dinâmica de personificação.

As recorrentes manifestações da Paulista, a partir de junho de 2014, sinalizaram que o povo ficou saturado das decisões que vêm de cima.

As recentes eleições municipais destituíram considerável leva de caciques políticos. Foi só o primeiro ‘round’. Daqui a dois anos, como uma nova onda, virão as eleições para presidente, governadores, membros dos parlamentos estaduais e federais.

Ou as lideranças políticas e empresariais entram em sintonia com as ruas, ou continuarão praticando um delirante solilóquio, em que cada um fala para si mesmo, imaginado que discursa para a multidão em êxtase.

Nesta era da espontaneidade, o botão do pulo do gato está relaxado, frouxo, bambo. É tão inútil quanto a antiga máquina de escrever ou a mais vanguardista tecnologia digital. Há um novo humanismo em curso. Um novo renascimento e antropocentrismo.

É o homem de mãos dadas com a natureza e com a sua própria diversidade. Ele não se guia pelo antigo mapa rodoviário ou pelo contemporâneo GPS. Acabou-se a magia, o abracadabra, o estalar dos
dedos.

Quem achar que essa costura de relacionamento e intercâmbios dá trabalho demais, está irremediavelmente fora da nova ordem mundial. Ficará tão ocioso quanto o operário – ou um robô – da montadora de pátios abarrotados.

Os botecos, bares, restaurantes, café e bistrôs estão se tornando mais do que importantes neste ciclo de destronamento das hierarquias, das atitudes autoritárias e das paredes divisórias. São, agora, imprescindíveis.

Do mesmo modo, imprescindíveis são os espaços públicos, as praças, os parques, as ruas. As entidades reguladas por quadros rígidos e coercitivos foram engolidas pelas marés do nascente milênio. ‘Não adianta fugir, nem mentir para si mesmo, agora.

Há tanta vida lá fora. Como uma onda no mar’.

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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