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Filhos do Natal

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Filhos do Natal

Foto; Divulgação

Destrinchando

Por Paulo Solmucci

O melhor presente que as crianças esperam dos pais? Os pais estarem com elas. Passeando a esmo pelas ruas ou praças arborizadas e repletas de gente, parando em um parquinho, simplesmente desenhando e colorindo papéis no chão da sala de casa, chutando a bola em um cimentado qualquer. Eis aí belíssimos presentes de Natal.

São estes os presentes que devemos dar às crianças o mais que pudermos: ou diariamente, ou de três em três dias, ou pelo menos um dia inteiro do fim de semana. O que penso é confirmado no artigo de Juan Arias, editor do jornal El País, postado na edição digital brasileira (www.brasil.elpais.com), com data de 19 de dezembro.

O espanhol Juan Arias, radicado no Brasil desde 1999, fala do menino Ygor, de nove anos, cujo pai continuava desempregado e não tinha mais como comprar o presente de Natal. O menino, ao receber a informação da mãe, disse a ela: – não quero presente de Natal; quero mais tempo para brincarmos juntos.

O jornalista do El País relata, ainda, que conhecia e convivia com a família do Ygor. Os pais do garoto o deixavam na casa da avó, para que pudessem trabalhar. Um dia, ao visitar a casa dessa senhora idosa, Arias encontrou o menino ao lado de sua montanha de brinquedos, que ali haviam sido colocados para distraí-lo. Mas a criança, que então tinha quatro anos, brincava com água e terra. “Quando me viu, pediu que brincasse com ele de ‘amassar pão’.

Tive de buscar outra colher e continuar sua brincadeira. Diante do monte de brinquedos, ele preferiu inventar um, simples e barato”.É razoavelmente comum a gente saber de pais que terceirizam os filhos. Colocam as crianças no curso de inglês, na academia de ginástica, nas aulas de tênis, e até no centro de
equitação.

Quando os infantes estão em casa, são deixados por conta das várias opções do mundo digital, distraindo-se sozinhas diante das telas. São terceirizadas às babás, quando bebês, e, quando maiorzinhos, aos ‘gadgets’ – os tais equipamentos tecnológicos. Alguns pais tentam pagar e apagar um ano inteiro de ausência, levando a família a uns dias de verão em Jericoacoara.

Assim, mais do que nunca os filhos tornam-se órfãos de pais vivos. São pais que se entregaram à interminável maratona do sucesso, atrás de dinheiro, influência e posição. Mas não há riqueza e patrimônio suficientes para cobrir o prejuízo psíquico e emocional causado pelos próprios pais, que exibem a mais vistosa das felicidades, ao lado dos filhos, em fotos nos seus perfis da rede social.

As consequências desse abandono são fartamente narradas nos escritos e nas palestras de psicólogos, pedagogos, psicanalistas e psiquiatras. Eis um dos livros que vão direto ao tema: ‘A sociedade dos filhos órfãos’, de Sergio Sinay (Editora Best Seller).

Que a estrela-guia do Natal de agora nos guie para esta iluminada verdade: os presentes que as crianças mais desejam são a mãe e o pai presentes.

Leia mais:

Projeto de Cinema para crianças portadores de necessidade especiais

Sorveteria São Domingos

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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