DestaquesDestrinchandoFernanda Mello

Fernanda Mello Sorrisos

Fernanda Mello Sorrisos

Fernanda Mello Sorrisos

 

Por Fernanda Mello

Não troco likes, apenas sorrisos

A tecnologia bagunçou o AMOR. Inaugurou-se uma nova era na qual podemos ver o que os outros querem nos mostrar, com maestria: corpos perfeitos, felicidades inquestionáveis, lugares paradisíacos, pratos de dar água na boca, frases espiritualizadas, rostos sem defeitos ou sinais de tristeza. Tudo lindo, perfeito, irretocável. É só olharmos nossos Instagrans, Facebooks, aplicativos, e demais redes sociais e perceber: o mundo inteiro ficou feliz, rico e bonito. Do lado de cá da tela, nós, os imperfeitos, sequer imaginamos a outra metade submersa. Aquela real, que não tem filtros, ângulos certos, sorrisos falsos, nem photoshops. O problema é que nós (ou eu, não sei precisar), somos supertalentosos no quesito criatividade. E imaginamos a realidade dos perfis que moram na internet AINDA melhor do que as máscaras que nos sorriem nas telas dos celulares, tablets ou computadores. Invenção minha?

Aí, quando a o virtual se choca com o real, surge apenas uma cena: um sorriso amarelo de decepção. E um vazio no lugar daquela foto que te fez perder o sono durante dias.
É, você foi excluído e bloqueado sem, ao menos, ter a chance de um segundo encontro.
Ah, perigosa combinação do mundo moderno! As expectativas se somam ao fantástico universo de bits e bytes, e a casa inevitavelmente cai quando a realidade se instala.
Como diria Caetano: “de perto ninguém é normal”. E eu acrescento, sem pestanejar: de perto, ninguém é IGUAL ao que aparenta – virtualmente – ser.
Uma amiga me disse outro dia: “O Instagram me deprime. Sinto que todo mundo se diverte mais do que eu”. Será verdade?

Taí uma ótima pergunta! Alguns levam tão a sério registrar seus momentos nas redes sociais que se esquecem de conversar com quem está ao seu lado. Ou simplesmente, não se lembram de se divertir. E observar a paisagem.

Vivemos numa era maluca em que o APARECER ficou mais importante que o SER. Ter muitas curtidas é sinal de que você é bacana. Ter muito seguidores virou status. E o tal “SDV”* chegou para mostrar que a carência e o desespero continuam crescendo, numa legião de aflitos que querem ser vistos (e seguidos) a qualquer custo.
Ok, ok, ok. Não há como negar o lado bom. Redes sociais são divertidas e podem, sim, ser uma ótima ferramenta de trabalho e também um passatempo para lá de interessante.
Pois – convenhamos! – ali a gente vê de tudo! Ficamos por dentro da política, dos barracos das celebridades, nos chocamos (e nos divertimos) com a criatividade das pessoas em ironizar os outros (e a si mesmos) e, de quebra, vemos gente bonita, lugares bacanas, corpos sarados e frases inspiradoras (que, dependendo do dia, podem nos motivar, sim!).

No fundo, é como meu pai me disse um dia (e insiste em afirmar sempre): “É preciso ter sempre um equilíbrio nessa vida.”
E é bem aí que eu quero chegar.
Com as redes sociais, perdeu-se um pouco a privacidade, é certo. Fotos denunciam como e onde estamos. Não podemos ler mensagens e não responder, que somos denunciados pelos próprios aplicativos que surpreendentemente possuem uma inteligência maior do que a nossa. Eis que começa, do nada, a confusão. Porque – nem sempre – estamos ignorando o outro. Nem sempre estamos online. Nem sempre postamos uma foto imediatamente. Ou, no meu caso, nem sempre divulgo uma frase de minha autoria que condiz com meu estado de espírito.

Portanto, entendam isso, para a saúde real e virtual da nação: nem tudo É como parece. E o que era para ser mera distração, ferramenta de divulgação ou venda, pode se tornar um problema que separa casais, gera brigas, desconfianças e demais chatices. Afinal, quem nunca escutou do namorado ou marido: “quem é o fulano que você curtiu”?
É, meu amigo, “curtir” virou o novo “olhar 43”. Portanto, cuidado! Quanto aos aplicativos, é bom lembrar que o outro nunca sabe exatamente o tom de voz que usamos quando escrevemos no Whatsapp, por exemplo. Isso, por si só, já pode gerar muita cara fechada. E brigas sem sentido.
Por isso, meu apelo hoje é simples, claro e serve tanto para mim quanto para os frenéticos de smartphones: seja dono de suas redes sociais. Mas não deixe, em hipótese alguma, que ela seja dona de você.
Um beijo e, por favor, troquem SORRISOS. Não Likes.

Leia mais:

PRISCILLA CAROLINA

Academia do Skate

Fernanda Mello

Fernanda Mello

Escritora e compositora, Fernanda Mello ficou conhecida por seu blog Coração na Boca e por suas inúmeras letras para bandas como Jota Quest, Tianastácia, entre outros, incluindo sucessos como: “Só hoje, “O que eu também não entendo”, “Mais uma vez”. Autora de 4 livros (Princesa de Rua, O menino que queria abraçar o mundo, Amor na TPM e Amar é punk), Fernanda também conta com um canal de crônicas digitais no youtube, que somam mais de um milhão de acessos.

Anterior

Academia do Skate

Próximo

Lenço de Bolso