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Faxina no Brasil

Faxina no Brasil

Faxina no Brasil

Por Paulo Solmucci

A maior e mais duradoura empresa estatal do mundo, em todos os tempos, foi a escravidão brasileira. Um empreendimento que atravessou o Brasil colônia e o Brasil imperial.

Durou 350 anos. Foram trazidos para cá cinco milhões de africanos, que se espalharam por todo o território nacional, em uma operação comandada pelo monarca de plantão.

Nos Estados Unidos, a escravidão ocorreu em uma nesga territorial do sudeste. Durou 250 anos. Foram para lá levados, por agentes privados, 700 mil escravos africanos. O governo americano nada tinha a ver com isso. Até fez uma guerra contra os escravocratas do “deep south’, do sul profundo.

Por aqui, só quem trabalhou no Brasil, ao longo de ininterruptos três séculos e meio, foram os negros. O Estado dos governantes e dos burocratas apenas dava ordens, controlava, castigava.

E assim ficamos: de um lado, os governantes e burocratas. Do outro, os que de fato trabalham. Aqueles que quiseram desmontar a escravidão institucionalizada e estatizada eram pejorativamente tidos como “liberais”. Entre nós, os “liberais” tornaram-se sinônimos de traidores da pátria, entreguistas, aliados do capitalismo internacional.

E assim ficou até hoje. Os que querem fazer uma faxina no estatismo e no corporativismo destes trópicos são “liberais”, traidores da pátria, entreguistas, aliados do capitalismo internacional.

É por isso que sempre empaca qualquer tentativa de se simplificar o Brasil, dando-se uma espanada no burocratismo, no estatismo, no sindicalismo trabalhista e patronal, nos cartórios, na barafunda tributária, e nesse monte de gente com anel de doutor, que está sentada em uma cadeira de espaldar alto, tendo atrás uma estante repleta de livros do mundo jurídico.

Até hoje há dois Brasis. O Brasil da Casa Grande, em que se alojam os donos do poder. E Brasil o das senzalas, em que estão aqueles que, no dia a dia, pegam no batente para tentar sobreviver com dignidade, e, para também sustentarem, compulsoriamente, aqueles que mandam e desmandam porque podem.

O que ficou, nestes cinco séculos, é a máxima de que obedece quem tem juízo. Já passou da hora de perdermos o juízo. Temos de fazer a nossa guerra contra a escravidão. Uma guerra pacífica, é claro. Mas, de qualquer modo, é uma guerra.

 

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci

Paulo Solmucci - Presidente da ABRASEL (Associação brasileira de bares e restaurantes).

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