Renata Lommez

FANTÁSTICO

FANTÁSTICO

Por Renata Lommez

É Fantástico!

Sabe aquela musiquinha… Fim de Domingo. O que passa pela sua cabeça na hora do “UHUHAH UHUH AH”. Bate aquela deprê? Não se sinta só. Você não pode negar que, enquanto a Sexta-feira é pura alegria, o restinho do primeiro dia da semana é quase sempre difícil de engolir, mesmo para quem não assiste à Rede Globo. Pra muita gente, ultimamente, motivos para não querer começar a semana são vários. Mas, esse sentimento estranho e meio angustiante aparece até entre os mais otimistas e com a vida em dia. Então não se julgue, existe uma explicação para isso e ela está no nosso inconsciente*.

Muitas vezes nos pegamos divididos e nos perguntamos se somos dois. Temos quase razão quanto a essa questão. O conflito interno entre a necessidade de estender o ócio e a cobrança a respeito das tarefas a serem cumpridas é claro e incomoda. Mas, não somos apenas dois, somos três em um, e esse um é regido por dois princípios, dois tipos de funcionamento. O principio do prazer é o desejo de gratificação imediata, e o principio da realidade se caracteriza pelo adiamento da gratificação em detrimento a regras e responsabilidades. Para entendermos por onde passa essa angustia que antecede as Segundas-feiras vou falar um pouco sobre Psicanálise e os nossos três “personagens” psíquicos.

Apresentando: Ego, Id e Superego Nascemos Id**. Nessa hora somos instinto, puro. O que nos comanda são impulsos primitivos tais como, agressividade e paixões. Não sabemos ainda distinguir mundo interno de mundo externo, tudo é uma coisa só. O que mais desejamos é suprir nossas necessidades a qualquer custo antes que seja criada qualquer tensão que traga desprazer ao nosso psiquismo. Não suportamos fome, frio e nem falta. Quando saímos do útero surge o primeiro grito, o primeiro choro ao sermos contrariados. O mundo externo começa a se fazer presente e concreto a partir desse momento, quando somos levados ao seio da nossa mãe. Dessa forma descobrimos que existe uma fonte que nos garantirá sobrevivência ao mesmo tempo em que nos dará prazer. O Id é a nossa instância norteada pelo principio do prazer, mas limitada pelo Ego e seu principio da realidade.

O Ego é o que conhecemos sobre nós, o que os outros conhecem, o Eu sobre o qual sabemos falar. É regido pelo principio da realidade e dotado de razão. O Ego vive uma briga entre dar um jeito de realizar os desejos do Id, o “eu quero”, e cumprir as regras ditadas pelo Superego, o “não pode”.

À medida que se dá nossa entrada na cultura nos são impostas regras morais e limites que então formarão o nosso Superego, aquele que tem como função evitar os impulsos do Id. Em psicanálise dizemos que o Superego é o herdeiro do Complexo de Édipo. Traduzindo, nossa censura interna é formada através do NÃO que é imposto quando nos “apaixonamos” pelos nossos pais.

Então, voltando aos finais de semana, sentimos um imenso prazer nesses dias, estamos com os amigos, com a família, descansando ou nos divertindo e, geralmente sem pressão ou horários a cumprir. O Id, eufórico desde o happy hour da Quinta-feira, está a pleno vapor já desejando a Sexta e seus excessos, buscando evitar tensões que possam trazer desprazer ao seu estado psíquico ideal. O esperado é que nosso Superego entre em ação tentando evitar que os tais excessos sejam o caminho para um desastre. O Ego vem para equilibrar esse conflito entre os dois. Ë fundamental se divertir, mas no Domingo à noite é preciso encerrar a farra, afinal somos civilizados e existe limite para tudo. Sabemos que diante da realidade da vida precisamos levantar da cama, trabalhar e ganhar dinheiro para suprir as nossas necessidades e, claro, também os nossos desejos.

Portanto, quando toca a tal musiquinha e você fica triste não quer dizer que seja preguiçoso, apenas que está vivendo um dilema interno indissolúvel e presente em todos nós, afinal no estado natural éramos originalmente totalmente livres de regras e padrões, mas é a civilização que mantém a ordem social, mesmo ao elevado custo de restringir nossas escolhas individuais. E é por conta dessa liberdade perdida, segundo Freud, que o ser humano estará em permanente conflito com a civilização.

”A mente funciona de modo a alavancar o prazer e evitar o desprazer”.

(*)  Inconsciente – refere-se ao material não disponível à consciência ou ao escrutínio do indivíduo. No entanto, o ponto nuclear da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como:

a) Um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas;

b) Um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.

(**) Em alemão Id quer dizer isso

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